PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE COORDENADORES DE DINÂMICA DE GRUPO / PROGRAMA DE FORMACION DE COORDINADORES DE DINAMICA DE GRUPO
DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL: ESTRATÉGIAS E MODELOS
RICHARD BECKHARD
Richard Beckhard Associates, Nova York
Massachusetts Institute of Technology
Tradução: Prof. MEYER STILMAN
da Faculdade de Economia e Administração da Universidade
de São Paulo
Editora Edgard Blucher Ltda. 1972, São Pãolo
PARTE FINAL
9 - CONDIÇÕES PARA O FRACASSO E PARA O BOM ÊXITO
DOS ESFORÇOS DE
DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL
Neste capítulo eu quero fazer algumas observações
em torno de algumas das condições que se podem
antepor a uma efetiva melhora organizacional, e a seguir, enumerar
algumas das condições necessárias a um
esforço de mudança bem sucedido e duradouro.
ALGUMAS CONDIÇÕES PARA O FRACASSO
1. Uma contínua discrepância entre as afirmações
da alta administração quanto aos seus valores e estilos e
o
seu efetivo comportamento administrativo.
Eu conheço uma organização que despendeu muito
dinheiro e trabalho durante vários anos em esforços de
melhora organizacional. A eficiência da organização
aumentou apenas marginalmente. A alta administração
ainda opera num estilo geralmente autocrático e por vezes orientado
tão-somente para a solução de crises. O
resto da organização sabe disto e tem apenas limitada
confiança na declaração de intenções
da alta
administração. Há um "gap" de credibilidade, que
faz com que as pessoas se mostrem cautelosas,
conservadoras e autoprotetoras.
2. Um grande programa de atividades sem qualquer base sólida quanto a metas de mudança.
Alguns gerentes de organizações instalam atividades como
laboratórios de administração, parte de um
programa de Managerial Grid ou um conjunto de atividades ligadas ao
estabelecimento de metas e supõem
que isto seja um programa de DO. Eles não tem um comprometimento
pessoal no estabelecimento
sistemático de metas e em planos para atingi-las e para proporcionar
liderança responsável na parte
referente à melhora organizacional.
3. Confusão de fins e de meios.
Alguns gerentes, tendo tido uma significante experiência pessoal
de aprendizado num programa, digamos de
treinamento da sensitividade, promoverão convictamente um programa
de comparecimento a tais atividades
pelos seus colegas, na hipóteses de que o desenvolvimento pessoal
dos gerentes-chaves resultará ipso facto
em melhora da organização. A não ser que a pergunta
"treinamento para quê?" possa ser respondida em
termos de desenvolvimento organizacional, tais meios não melhorarão
a eficiência da organização.
4. Estrutura de trabalho para o curto prazo.
A maioria dos gerentes mais graduados são ativistas; eles são
impacientes e têm seus olhos sempre
dirigidos para os resultados. Uma condição que pode prejudicar
seriamente os esforços de DO é uma
expectativa irrealística de resultados no curto prazo. Mesmo
que ocorram mudanças extraordinárias no curto
prazo, elas não são medida válida de uma legítima
melhora organizacional. De três a cinco anos é um período
realístico de tempo dentro do qual se pode esperar que um esforço
de DO apresente resultados significativos.
5. Nenhuma ligação entre esforços de mudança
orientados para as ciências do comportamento e esforços de
mudanças orientados para administração-serviços/pesquisa
operacional.
Há um bom número de esforços sistemáticos
para muar as operações de organizações e que
não são
coordenados ao nível de staff. Estes esforços produzem
ineficiências e concorrência entre staffs e não tiram
proveito da sinergia que se torna possível num esforço
conjunto para planejar e conduzir sistematicamente
uma mudança na organização.
6. Excesso de dependência de auxílio externo.
Com a crescente complexidade das organizações e das exigências
do ambiente, é fácil deixar-se que
consultores ou especialistas solucionem o problema. Nos esforços
de desenvolvimento organizacional, esta
não é uma estratégia útil e nem de longo
prazo. A administração da organização deve
ter um
comprometimento pessoal contínuo no que se refere aos problemas
e às suas soluções.
7. Excesso de dependência de especialistas internos.
Esta é uma condição semelhante, na qual a administração
de linha deixa que o esforço de mudança fique
inteiramente a cargo dos especialistas da organização
ou do staff.
8. Um grande "gap" ente o esforço de mudança no mais alto
escalão da organização e os esforços no meio
da organização.
Frequentemente o grupo da alta administração se empenhará
num importante esforço para melhorar seu
funcionamento, suas operações e seu trabalho. Isto requer
tempo e energia. Durante o período deste esforço,
bem pode haver um aumento nos problemas de comunicações
e de distancia social entre o grupo do mais
alto escalão e o meio da organização. Se as mudanças
do alto não forem comunicadas e transferidas ao nível
seguinte da organização, torna-se difícil atingir
um esforço integrado de desenvolvimento organizacional.
9. Tentar introduzir uma importante mudança organizacional em uma estrutura antiquada.
Alguns esforços de desenvolvimento organizacional falharam porque
os administradores tentaram adaptar
algumas condições superadas, tais como uma nova estratégia
de marketing ou uma reorientação de esforço,
a uma estrutura já existente por exemplo, numa grande agência
de propaganda os clientes tinham contato
com a agência através dos executivos de conta. Os vários
especialistas em veículos de propaganda, arte etc.,
trabalhavam através destes executivos. Atualmente os clientes
querem ter contato direto com os vários
especialistas encarregados das diversas partes de seus programas de
propaganda. Com a manutenção de
uma estrutura antiquada e de relacionamentos internos inadequados,
a agência experimentou dificuldade
para cuidar das necessidades dos clientes. Somente quando a agência
chegou à conclusão de que era
necessária uma nova estrutura para fazer frente à mudança
no ambiente, é que ela foi capaz de solucionar
criativamente este problema.
10. Confundir boas relações como um fim com boas relações como uma condição.
Alguns programas de mudança organizacional baseados, nas ciências
do comportamento sugerem que
quando existirem relações efetivas, abertas e dignas
de confiança entre as pessoas da organização, tem-se
uma organização saudável. Eles sugerem que uma
das metas finais de um tal programa é a de estabelecer
este tipo de clima e de relacionamentos. Eles não indicam que
a organização eficiente e saudável, além dos
bons relacionamentos, deva ter planos claros e definidos para atingi-los
e que as suborganizações também
estejam trabalhando com vistas às metas programadas. Bons relacionamentos
são tidos como uma condição
importante numa organização eficiente mas não
representam um estado final.
11. A busca de soluções do tipo livro de receitas culinárias.
Ainda há muitos administradores que experimentarão qualquer
coisa que lhes forneça uma solução rápida
para melhorar a eficiência da organização. A verdadeira
saúde da organização não está sujeita
a soluções do
tipo "livro de receitas culinárias".
12. Aplicação inadequada de uma intervenção ou de uma estratégia.
Na minha própria experiência há um bom número
de casos nos quais uma particular intervenção ou estratégia
de mudança, a qual foi eficiente em uma organização
ou sob um dado elenco de condições, foi tomada
emprestada e aplicada a uma outra organização ou conjunto
de condições sem qualquer diagnóstico prévio
quanto à sua adaptabilidade à segunda organização.
Esta é uma forma de solução do tipo "livro de receitas
culinárias" e ela tende a produzir fracasso ao invés
de bom êxito.
ALGUMAS CONDIÇÕES PARA O BOM ÊXITO
Num artigo publicado na Harvard Business Review, Larry Greiner fez referência
a um certo número de bem
sucedidos esforços de mudança organizacional e sobre
os quais foi feita uma pesquisa. Ele analisou os
relatórios dos pesquisadores e destes relatórios pode
selecionar um conjunto de características comuns que
pertencem a todos os esforços bem sucedidos de mudança
e que não estavam presentes nos esforços
menos bem sucedidos. Eis a lista:
1. Há uma pressão sobre a alta administração e que induz ao aparecimento de alguma ação.
2. Há alguma forma de intervenção na alta administração:
um novo membro da organização, um consultor ou
um novo chefe do staff de desenvolvimento organizacional. Isto induz
a alguma reorientação na maneira de se
olhar os problemas internos.
3. Há um diagnóstico das áreas nas quais existem
problemas e isto induz a uma análise de problemas
específicos.
4. Há a invenção de algumas novas soluções
para os problemas e isto produz algum comprometimento
quanto a novas linhas de ação.
5. Há alguma experiência com novas soluções
e isto produz uma busca de resultados com base nas
experiências.
6. Tendo-se em vista os resultados positivos, há um robustecimento
do sistema e isto produz a aceitação das
novas práticas.
O leitor poderia achar útil passar uma vista d´olhos nos
casos dos capítulos 4 a 8 e testá-los em relação
a
estes critérios.
Dou a seguir minha própria lista das dez condições
necessárias para esforços bem sucedidos de
desenvolvimento organizacional.
1. Há pressão do ambiente, interno ou externo, para a realização da mudança.
2. Alguma pessoa ou pessoas estratégicas estão sendo vítimas de algum mal-estar.
3. Algumas pessoas estratégicas estão desejosas de fazer um diagnóstico real do problema.
4. Há liderança (consultor, homem do staff-chave, novo executivo de linha).
5. Há uma identificação de problemas de colaboração entre o pessoal de linha e o pessoal de staff.
6. Há alguma disposição de se assumir riscos ao se tentar novas formas de relacionamento.
7. Há uma perspectiva realística e de longo prazo.
8. Há uma disposição de se encarar os dados da
situação e de se trabalhar com eles para se efetuar a
mudança da situação.
9. O sistema recompensa as pessoas pelo esforço de mudança
e de melhora, além de recompensá-las por
resultados de curto prazo.
10. Há resultados intermediários tangíveis.
PARTE 3
A ADMINISTRAÇÃO DA MUDANÇA
10 - A ADMINISTRAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL
Permita-me o leitor relembrá-lo de minha definição de desenvolvimento organizacional.
O Desenvolvimento organizacional é um esforço planejado,
que abrange toda a organização e administrado
do alto, para aumentar a eficiência e a saúde da organização
através de intervenções planejadas nos
procedimentos da organização e usando os conhecimentos
fornecidos pelas ciências do comportamento.
As metas de todos os esforços de desenvolvimento organizacional
são a crescente eficiência no
desempenho e a saúde cada vez melhor da organização
e levando-se ainda em conta que estes resultados
devem permanecer constantes no tempo.
O bom êxito dos esforços de desenvolvimento organizacional
está em boa parte relacionado à qualidade da
administração dos esforços e ao comprometimento
da alta administração da organização em investir
a
energia e o esforço pessoal necessários.
Este capítulo servirá para dar uma vista d´olhos
na administração dos esforços de desenvolvimento
organizacional.
Inicialmente veremos alguns modelos de iniciação aos esforços
de DO dentro da organização de linha; em
seguida passaremos para uma análise das espécies de ajuda
externa disponíveis aos líderes da organização
em termos tanto de consultores quanto de programas; e finalmente passaremos
em revista diversos modelos
de como organizar os recursos do staff interno com vistas a ajudar
na administração da mudança.
Dois termos adequados neste exame são "administradores de mudança"
e "agentes de mudança". O
primeiro refere-se àquelas pessoas, tais como o principal executivo
da organização ou o chefe de uma
unidade, que são responsáveis pelas operações
e pela eficiência da organização e que devem aceitar
a
principal responsabilidade administrativa em qualquer esforço
planejado de mudança tanto para a
organização tomada como um todo quanto para alguma unidade.
O agente de mudança refere-se àquelas
pessoas, tanto de dentro quanto de fora da organização,
que estão proporcionando ajuda técnica,
especializada ou de consultoria na administração de um
esforço de mudança. Elas podem estar
proporcionando trabalho de staff no planejamento do esforço;
elas podem estar coletando informações sobre
o estado do sistema; elas podem estar proporcionando ajuda técnica
em treinamento e consultoria; elas
podem estar servindo como diagnosticadores a serviço da administração
de linha. Uma função profissional
de agente de mudança está começando a surgir no
trabalho de desenvolvimento organizacional. Eu acredito
que veremos esta função crescer de importância
nos próximos anos.
ADMINISTRAÇÃO DA MUDANÇA
Conquanto a maioria concorde que qualquer mudança que abranja
a organização toda deva ser propriedade
e administrada pela mais alta liderança da organização,
esta condição nem sempre é possível no início
de um
esforço de mudança. Em esforços que abrangem a
organização toda, há um bom número de modos
de se
dar início à mudança e que provaram ser eficientes.
Permitam-me descrever alguns deles.
1. O principal executivo como diretor de DO. Por vêzes o principal
executivo ou o mais alto administrador da
organização decide empreender e administrar um programa
de mudança para a organização toda. Ele
geralmente chega a esta decisão baseado em alguma experiência
pessoal ou recorrendo a uma fonte digna
de confiança. Ele pode ver os "gaps" entre a atual forma de
operação de sua organização e a imagem que
ele tem do que ela poderia ser. Por exemplo, ele poderia querer mudar
a qualidade e talvez o tipo de metas
estabelecidas pela organização, ou a maneira dentro da
qual a organização opera, ou a estrutura, ou o clima.
Nesta situação, devido à sua posição
e em virtude de as pessoas que se encontram em tais posições
geralmente serem pessoas muito enérgicas, ele pode usar de sua
força para empurrar o programa para a
frente com apreciável rapidez.
Isto poderia resultar num certo número de atividades; seu comportamento
poderia comunicar à organização
que esta é a "jogada" - as pessoas serão recompensadas
por se empenharem em atividades de melhora.
Poderia também significar que seria diminuída qualquer
resistência à mudança dentro da organização
levando-se em conta o apoio da alta administração.
Entusiasmo e comprometimento pessoal da mais alta liderança da
empresa podem ser forças das mais
relevantes para um eficiente programa de mudança. No entanto,
esta situação não deixa de ter suas
desvantagens. Alguns dos mais fortes comprometimentos do mais alto
administrador da empresa poderiam
não ser compartilhados por aqueles que se encontram imediatamente
abaixo dele, não obstante eles terem
uma atitude do tipo "Maria vai com as outras". Bem poderia haver um
"lag" de interesse e ação entre os
esforços do grupo da alta administração e as pessoas
que se reportam a ele. Eu tenho visto um bom número
de situações nas quais a equipe do mais elevado escalão
administrativo, motivada pelo entusiasmo do
presidente, tornou-se extremamente interessada num programa de melhora
mas este interesse não chegou a
ser transmitido ao nível imediatamente abaixo dela. Em um caso
que me vem à mente, o presidente é um
verdadeiro entusiasta de melhora planejada da organização.
Ele e sua mais alta equipe passaram juntos
trabalhando nesses problemas aproximadamente o triplo do tempo que
despendiam anteriormente.
Entretanto, por um período superior a um ano, a mais alta equipe
tinha estado consideravelmente menos à
disposição dos seus subordinados. Houve uma crescente
insatisfação ao nível de chefe operacional quanto
à
falta de contato com o grupo executivo. Houve ainda alguns problemas
morais um tanto sérios no meio da
organização e um crescente grau de hostilidade em relação
ao "programa". O esforço de DO é visto como
sendo um empecilho à eficiência da organização
ao invés de um fator de melhora. Um outro problema pode
ocorrer quando o principal executivo, tendo-se convencido da necessidade
de um particular programa, decide
que ele deve ser introduzido o mais rapidamente possível na
organização toda. Por exemplo, há um certo
número de organizações que conduzem programas
de administração por objetivos sem disto dar
conhecimento à diretoria da empresa porque o principal executivo
apóia entusiasticamente estes programas.
Frequentemente esses programas totais de organização
na verdade não melhoram a organização.
Por outro lado, no entanto, o apoio e o comprometimento ativos da alta
administração num programa
constituem fatores de grande relevância na prognosticabilidade
do seu bom êxito. Supondo-se que um
desenvolvimento organizacional significante envolve mudanças
de valores, de normas e talvez de metas, pode
dizer-se que é uma condição essencial que os principais
executivos estejam ativos dentro do processo.
2. O chefe de unidade. Uma outra maneira de se dar início a um
programa total de desenvolvimento
organizacional surge quando uma unidade, talvez uma divisão
ou um segmento da empresa, é chefiada por
uma pessoa que se torna interessada e entusiasmada em relação
a um esforço planejado de mudança para a
sua organização. Se a unidade que ele dirige for relativamente
autônoma dentro da organização maior, ele
estará capacitado a levar adiante um eficiente esforço
de mudança. Os resultados deste esforço bem que se
podem propagar para as outras unidades da organização.
Em uma dada organização muito grande, uma
estratégia planejada de melhora organizacional levada a efeito
em uma das divisões produziu resultados
extraordinariamente satisfatórios tanto no que se refere aos
lucros apresentados no balanço contábil quanto
no que se refere ao clima geral de trabalho da organização.
Esta diferença de desempenho e de clima
tornou-se óbvia a muitas pessoas dentro da organização
total, inclusive à alta administração e à matriz
da
empresa. A alta administração, que anteriormente estava
menos ligada a este esforço planejado de mudança,
quando analisou os resultados começou a reformular suas próprias
atitudes e está agora tomando as
providências necessárias para por em prática esforços
de mudança que abranjam a organização com muito
maior amplitude. A alta administração também está
observando os esforços de outra divisão e está
desenvolvendo novos critérios de medida para os programas efetivos
de melhora de desempenho. São as
seguintes algumas das vantagens desta maneira de agir:
O desempenho do gerente da unidade individual normalmente parece ser melhor.
Ele provavelmente será tido como progressista e "prá frente" e poderá ser adequadamente recompensado.
Um tal esforço também tentará a produzir mais força
administrativa em sua própria organização, liberando-o
assim para as possibilidades de promoção quando houver
disponibilidade de vagas.
Ela também fornece um modelo piloto que pode estimular outros esforços.
No lado negativo, uma unidade que esteja empenhada em qualquer programa
que seja muito diferente das
normas de uma organização pode ser encarada como sendo
"saliente" ou divergente. Pode ocorrer alguma
inveja e talvez raiva por parte de outros segmentos da organização.
Pode ocorrer alguma forma de boicote
aos "desajustados". Como a maneira de trabalhar na suborganização
se torna mais "aberta" e confrontadora,
há sempre a possibilidade de os membros colocarem em prática
este comportamento em outros ambientes;
isto pode produzir algumas dificuldades nos relacionamentos com os
outros grupos. No entanto, se houver um
esforço entusiástico da parte do chefe da organização
tanto para construir sua organização interna quanto
para melhorar as relações com as outras partes da organização,
é provável que daí resulte um eficiente
programa de mudança.
3. O evangelista. Em todas as organizações há algumas
poucas pessoas (que podem estar localizadas
quase em todos os lugares dentro da estrutura formal de autoridade)
que são "líderes naturais" e que têm
grande influência sobre a organização total. Suas
funções oficiais podem não lhes proporcionar controle
imediato sobre um grande número de pessoas dentro da organização
mas seu poder, decorrente de sua
capacidade de influenciar pessoas importantes, é provável
que seja mais forte do que a autoridade oficial.
4. O líder funcional. Uma outra forma de esforço que pode
conduzir a esforços de mudança dentro de um
grande sistema pode ter início no gabinete de um chefe funcional.
Um dos problemas de organizações
complexas é o de que as pessoas que desempenham funções
especializadas, tais como contabilidade,
pessoal ou serviços administrativos, pertencem simultaneamente
a duas organizações: ao grupo funcional e à
unidade administrativa na qual eles estão trabalhando. O fato
de ocorrer esta superposição produz uma
porção de problemas nas relações linha-staff,
no controle e no desenvolvimento de carreira, os cais
constituem obstáculos à eficiência operacional.
Tenho visto diversas situações nas quais o chefe de alguma
função de staff deu início a um programa de
mudança com os operadores de linha. Esta modalidade requer uma
grande dose de competência e de
coragem da parte do diretor que dá início ao procedimento
e envolve uma grande dose de confronto de
problemas através de linhas laterais entre o staff e os chefes
operacionais. Ela pode acabar produzindo novos
problemas de relacionamento intergrupal. No entanto, se funcionar eficientemente,
ela bem pode mobilizar
toda a organização no sentido de uma nova forma de colaboração.
5. O grupo que leva a mudança. Uma outra condição,
que por vezes produz uma mudança total na
organização, é quando um grupo ou subunidade teve
uma experiência de mudança particularmente eficiente,
pode ver resultados palpáveis e tem plena convicção
da eficiência e da validade do esforço. O grupo,
utilizando se sua própria experiência, tenta influenciar
as partes da organização correspondentes a níveis
iguais aos seus.
O USO DE AJUDA EXTERNA
É importante que os administradores de mudança compreendam
quais os tipos disponíveis de recursos
externos bem como as opções para a organização
dos esforços de DO dentro da organização. Para ajudar
a
pensar sobre isto, gostaria de discutir o problema dentro do seguinte
contexto. Em primeiro lugar, farei a lista
de uma série de fases que estão envolvidas em qualquer
esforço de mudança abrangendo toda a
organização, pensando-se em termos da organização
total. Em seguida, passarei em revista os tipos de
acordos entre recursos
externos e organizações; e, em terceiro lugar, examinarei
a relação entre estes dois. O objetivo disto é o de
proporcionar ao leitor alguns critérios em relação
aos quais ele possa determinar qual o tipo de ajuda externa
que é o mais adequado àquele tipo de problema organizacional
que existe dentro do seu esforço total de DO.
Fases dos esforços de mudança para a organização toda
De uma maneira geral, podemos dizer que todos os esforços de DO incluem os seguintes processos:
diagnóstico,
planejamento da estratégia,
educação,
consultoria e treinamento,
avaliação.
O diagnóstico, no sentido em que a palavra é aqui usada,
significa o exame da necessidade de mudança e
do estado do sistema. O planejamento da estratégia refere-se
ao desenvolvimento de um plano para a
melhora da organização, incluindo a determinação
de quais os sistemas que devem ser objeto de um ataque
inicial e em que ordem, quais as atividades que devem ser iniciadas,
quais os recursos que são necessários.
A educação, de acordo com o significado que aqui se lhe
está dando, refere-se àquelas fases do
desenvolvimento organizacional nas quais alguma parte do sistema, ou
partes do sistema, está empenhada
num esforço que é primordialmente educacional ao invés
de ser orientado para a ação. Isto pode ser uma
sessão do tipo "crítica musical" com o grupo da alta
administração, na qual uma pessoa de fora da empresa
fala sobre quais as espécies de atividades que estão
em andamento em outras organizações. Pode ser o
comparecimento a um seminário de Managerial Grid para a compreensão
do programa Grid de DO. Pode
ser uma série de apresentações por especialistas
no campo, descrevendo o que é possível fazer para se
melhorar a eficiência e a capacidade concorrencial da organização.
Consultoria e treinamento, no sentido
aqui usado, referem-se à consultoria sobre as práticas
atuais ou ao o planejamento para novas práticas, tanto
do sistema total quando dos subgrupos; o treinamento significa a assistência
especializada com vistas à
execução de atividades de treinamento que sejam parte
do programa. Por exemplo, se programas de
treinamento da sensitividade forem vistos como parte de um esforço
de DO, seriam necessários "treinadores"
para tais atividades. Se a organização estiver conduzindo
a Fase-Um da atividade de Grid, deverá haver
"treinadores" envolvidos. A avaliação, no sentido aqui
empregado, significa a avaliação contínua dos efeitos
de um programa de mudança sobre a organização
total. Qual é o estado de saúde da organização?
Um dos
modelos consiste em se ter um consultor externo que venha uma vez por
ano a fim de ajudar a organização a
"tomar sua própria temperatura". A função do assessor
externo é a de facilitar a coleta de dados e a tomada
de temperatura. Outros modelos incluem "surveys" de atitude, projetos
do tipo "survey-feedback", projetos de
pesquisa por cientistas do comportamento e grupos internos de pesquisa
que cuidem de relações com os
empregados.
Tipos de "contratos" com recursos externos
A seguir é fornecida uma lista representativa de tipos de acordos
ou "contratos" que podem ser feitos entre
organizações e recursos externos. A lista não
abrange todos os tipos mas inclui os principais. Vejamos
rapidamente cada um desses acordos.
1. O acordo de continuidade. Este é um acordo pelo qual o consultor
externo de alguma forma presta serviços
de consultoria tanto ao sistema total ou então a uma parte significante
dele. Ele emprega seu tempo em base
regular, digamos dois ou três dias por mês, na organização.
Suas atividades específicas são programadas
dentro da organização conjuntamente com a administração
do DO e são determinadas pelos problemas
correntes e contínuos do sistema. Por exemplo, ele pode comparecer
às reuniões do staff; ele pode
proporcionar consultoria individual a um certo número de executivos;
ele pode tomar assento entre dois
grupos coo se fora um catalisador. Ele é o membro permanente
de uma equipe de mudança, não obstante
trabalhar em tempo parcial. Nesta função, ele necessita
de muito mais orientação e conhecimento sobre a
organização e suas atividades do que ele estivesse trabalhando
em um dos outros tipos de relacionamento a
serem descritos.
2. A revisão periódica. Há um acordo entre o consultor
e a organização para que ele a visite numa base
regular e periódica com o objetivo de ajudar a organização
a examinar seu próprio funcionamento,
procedimentos e eficiência. Isto pode assumir diversas formas.
3. O acordo por projeto. Nesta modalidade, o relacionamento entre a
organização e a ajuda externa é mais do
tipo cliente-técnico, conquanto muitas das atividades desempenhadas
possam ser bem mais consultivas do
que técnicas. Nesta forma de acordo a organização
traz ajuda externa para auxiliar na administração de um
particular programa ou projeto.
4. Consultoria educacional. Algumas empresas voltam-se para um cientista
do comportamento com
"background" universitário ou para um consultor que proporcione
assessoria educacional e informação sobre
o estado da arte para algum segmento dos seus grupos executivos.
5. O acordo de treinamento. Neste acordo a organização
contrata ajuda externa para executar um tipo
específico de atividade de treinamento. Um exemplo disso seriam
os treinadores da sensitividade.
6. O programa de DO comprado pronto. Neste acordo, a organização
compromete-se a realizar um particular
elenco de procedimentos de desenvolvimento organizacional. O exemplo
é o Grid.
7. A equipe consultiva. Um tipo de acordo que é usado por algumas
poucas empresas é o emprego de uma
equipe de recursos externos. Este acordo é aplicável
somente numa organização relativamente complexa.
Nos casos em que este tipo de acordo provou ser eficiente, há
um certo número de consultores, cada um
designado para um particular subsetor da organização
e de preferência trabalhando juntamente com um
consultor interno.
8. A avaliação da organização toda. Eu enumero
este como um tipo de acordo em si, porque há um bom
número de casos de grandes empresas multinacionais ou multindustriais
nas quais a administração da
organização entrou em contato com cientistas do comportamento
externo com o objetivo específico de fazer
um estudo do sistema da organização, de sua eficiência,
de suas normas e de sua cultura.
Relação entre os acordos e os processos de mudança.
1. o acordo de continuidade tende a estar envolvido com diagnóstico,
planejamento da estratégia, educação,
consultoria e treinamento e avaliação.
2. o acordo de revisão periódica tende a cuidar do diagnóstico,
planejamento da estratégia e alguma
avaliação.
3. o acordo por projeto tende a estar interessado no planejamento da
estratégia, educação, consultoria e
treinamento.
4. a situação de consultoria educacional tende a lidar com a educação e talvez com diagnóstico.
5. o programa de DO comprado pronto tende a cuidar de educação,
consultoria e treinamento e
ocasionalmente com algum planejamento estratégico.
6. a modalidade de equipe consultiva cuida do diagnóstico, do
planejamento da estratégia e talvez de alguma
educação.
7. o acordo de avaliação da organização ou de pesquisa trata de diagnóstico e avaliação.
AGENTES INTERNOS DE MUDANÇA
1. O departamento de Desenvolvimento Organizacional. Algumas organizações
instalam um departamento no
centro da empresa, geralmente reportando-se ao vice-presidente de relações
industriais ou ao de recursos
humanos ou então ao presidente, chamado de departamento de desenvolvimento
organizacional ou de
melhora da organização. Quando solicitado este departamento
em geral funciona como se fora um
organização consultiva interna disponível aos
vários segmentos da organização para ajudá-los
em assuntos
de diagnóstico, de planejamento de estratégia e de condução
dos vários tipos de programas.
O ponto forte deste plano é que ele reúne alguns poucos
especialistas que estão altamente afinados com o
estado da arte e estão em contato com o campo todo. O ponto
fraco desta organização é que ela tende a
localizar a especialidade num departamento de staff frequentemente
desligado do resto das funções de
pessoal e de recursos humanos.
Se adequadamente ligado ao resto da organização, um pequeno
departamento de desenvolvimento
organizacional pode ser um recurso de staff central muito eficiente.
2. O especialista em Desenvolvimento Organizacional. Esta é uma
situação na qual uma ou várias pessoas
está adida ao mais alto escalão da organização
de pessoal ou ao mais alto escalão da organização
de linha,
mais uma vez exercendo a função de consultoria interna.
Esta modalidade apresenta algumas vantagens
sobre o departamento de desenvolvimento organizacional mais formal
na parte em que ela proporciona ajuda
especializada mas não desenvolve uma peça da estrutura
da organização que exige que organizações se
reportem a organizações. Ao invés disso, aqueles
que desejam ajuda podem solicitar a vinda de um indivíduo
que ou pode proporcioná-la ou então indicar ao cliente
onde encontrar os recursos adequados.
3. O homem do pessoal tendo o Desenvolvimento Organizacional como sua
função principal. Onde esta
modalidade é seguida, parece constituir uma tendência
que o homem "top" da área de pessoal ou de
recursos humanos assuma ele próprio esta terceira categoria
e delegue as duas primeiras categorias a
outros gerentes do seu departamento. A vantagem desta modalidade é
a de que ela mantém a função de DO
ligada aos outros aspectos da administração de recursos
humanos. Ela também define a ênfase e a
prioridade atribuídas aos esforços de desenvolvimento
organizacional, visto que o homem "top" assume a
função de DO como sendo sua área de preocupações
e de interesse pessoal.
4. O executivo de conta. Nesta modalidade, a homens que no escritório
central da empresa se dedicam a
algum aspecto da função de pessoal são atribuídas
algumas posições no campo, tais como em fábricas,
onde eles são os "homens da sede da empresa" para aquelas posições.
A vantagem deste acordo é a de
que ele proporciona uma base muito mais ampla de ajuda à administração
da unidade e colabora muito para
melhorar as relações sede/campo em virtude de melhores
comunicações entre as unidades de campo e a
sede, através do "amigo" ou executivo de conta no escritório
central da empresa.
5. O agente temporário de mudança. Em diversas grandes
organizações estão sendo conduzidas
experiências de se tirar pessoas de posições de
linha, identificá-las como agentes de mudança da
organização e designá-las para "clientes" específicos
com os quais irão trabalhar pelo período de um ano ou
mais. Durante o tempo que estas pessoas estiverem empregadas como agentes
de mudança ou consultores,
elas recebem treinamento especial em tecnologia de mudança,
em dinâmica organizacional e em
desenvolvimento organizacional.
6. O consultor de treinamento. Geralmente encontrável nas sedes
das empresas, esta é uma função que é um
prolongamento da função tradicional de diretor de treinamento.
Esta pessoa é vista como sendo alguém que
pode ajudar nas atividades grupais e intergrupais de treinamento, tais
como programas de desenvolvimento
de equipe, intergrupais, programas de estabelecimento de metas etc.
Esta pessoa é um consultor interno
para aqueles tipos de esforços de desenvolvimento organizacional
que envolvem grupos ou grupos de grupos.
7. O coordenador de Desenvolvimento Organizacional do tipo Grid. Esta
é uma pessoa que tanto pode ser de
uma posição de staff quanto de uma posição
de linha, que age como coordenador interno durante um
programa Grid de DO que abranja a organização toda.
8. O departamento "bossa nova" (new look) de desenvolvimento administrativo.
Talvez a modalidade mais
comum seja quando o departamento de desenvolvimento administrativo
assumiu responsabilidades
adicionais. Além do seu trabalho com os gerentes individuais
no que se refere à seleção, treinamento e
revezamento, ele se torna o centro dos recursos para desenvolvimento
de equipe, planejamento da
mão-de-obra e outras atividades de melhora da organização.
11. O TEMA DA DÉCADA DOS ANOS 70
Eu gostaria de discutir rapidamente o que penso sobre quais seriam as
principais tendências que farão parte
de nossa vida organizacional na próxima década.
Estreita ligação entre o ensino das ciências administrativas
e o das ciências do comportamento nas escolas
de administração.
Um interesse todo especial com vistas à integração
da teoria/prática nos currículos das escolas de
administração.
A "administração de mudança" como parte de todo o treinamento administrativo.
O surgimento de uma "profissão" de Agentes de mudança.
Melhor integração de especializações na empresa.
Os líderes da organização serão explícitos
ao declarar os objetivos e metas de Valor e os objetivos e metas
financeiras e de mercado.
Se estas tendências prosseguirem efetivamente - e o meu prognóstico
é de que elas continuarão -, as altas
administrações se organização para atingir
tanto os objetivos de alto desempenho quanto a busca de valores.
Um aspecto significativo do tema da década dos anos 70 - a busca
ativa e contínua pela excelência - será um
clima organizacional no qual as pessoas possam crescer e se desenvolver,
no qual a capacidade criativa
possa ser expandida e no qual as necessidades pessoais dos indivíduos
de ampliar e transformar em
realidade seus próprios potenciais possam ser atingidas significativamente
no próprio ambiente de trabalho.