PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE COORDENADORES DE DINÂMICA DE GRUPO / PROGRAMA DE FORMACION DE COORDINADORES DE DINAMICA DE GRUPO
DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL:
SUA NATUREZA, ORIGENS E PERSPECTIVAS
Warren G. Bennis
Universidade Estadual de Nova York em Buffalo
Tradução: Prof. Meyer Stilman
da Faculdade de Economia e Administração da Universidade
São Pãolo
Editora Edgard Blucher Ltda. 1972, São Pãolo
PREFÁCIO
Este livro, uma verdadeira "cartilha" sobre desenvolvimento organizacional,
foi escrito para pessoas que se
encontram em organizações e que devem estar interessadas
em aprender mais sobre esta estratégia
educacional, bem como para aqueles profissionais e estudantes de desenvolvimento
organizacional que
podem querer uma exposição básica, da qual possam
aprender e com a qual possam argumentar e discutir.
Tentei colocar no papel o que conheço sobre este assunto, utilizando-me
do mínimo de jargão acadêmico e
do máximo de exemplos concretos tirados de minha própria
experiência e também da de outros.
Este livro repousa sobre três proposições básicas:
A primeira é uma hipótese evolutiva de que cada e todas
as épocas desenvolvem uma forma organizacional que é
a mais adequada à índole daquela época e de que
certas mudanças sem paralelo estão ocorrendo, as quais
fazem com que se torne necessário revitalizar e
reconstruir as nossas organizações. A segunda é
a de que a única maneira viável de se mudarem as
organizações consiste em se mudarem suas culturas, isto
é, mudarem-se os sistemas dentro dos quais as
pessoas trabalham e vivem. Uma "cultura" é um modo de vida,
um sistema de crenças e de valores, uma
forma aceita de interação e de relacionamento. O mudar-se
os indivíduos, conquanto seja por demais
importante, não pode proporcionar o impacto fundamental e tão
necessário para a revitalização e renovação
que eu tenho em mente - se desejarmos que nossas organizações
sobrevivam e se desenvolvam. Em terceiro
lugar, torna-se necessária uma nova conscientização
social por parte das pessoas que se encontram em
organizações, juntamente com seu antepassado espiritual,
a autoconscientização. As organizações estão-se
tornando coletivamente conscientes dos seus destinos e dos caminhos
e linhas de pensamento que irão guiar
os seus respectivos destinos. Esta proposição afirma
que está sendo mais difícil influenciar a consciência
social do que a conscientização pessoal, porém
aquela é muito mais importante no tipo de mundo no qual
estamos vivendo.
O livro é composto de seis capítulos. O Cap. 1 tenta responder
à pergunta: O que é o desenvolvimento
organizacional? O Cap. 2 gira em torno da pergunta: Porque o desenvolvimento
organizacional, isto é, quais
as condições que Ievam à inevitabilidade do desenvolvimento
organizacional? Os Caps. 3 e 4 são capítulos
de "pergunta e resposta" nos quais tento responder a algumas das perguntas
mais freqüentemente feitas
sobre desenvolvimento organizacional. No Cap. 3, abordo perguntas mais
freqüentemente feitas por
profissionais e, no Cap. 4, trato das perguntas feitas com maior freqüência
por pessoas que se encontram em
organizações e que estão curiosas por darem início
a programas de desenvolvimento organizacional. O
quinto capítulo aborda o problema do "treinamento da sensitividade"
e tenta analisar as condições
subjacentes aos seus fracassos e aos seus bons êxitos como uma
estratégia de Desenvolvimento
Organizacional. O último capítulo apresenta certos problemas
gerais com os quais o campo de
Desenvolvimento Organizacional em si deve lidar da melhor maneira que
lhe seja possível. Também
acrescentei uma curta bibliografia destinada aos Ieitores mais curiosos.
W.G.B.
Buffalo, NY
Janeiro de I969.
1. DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL: O QUE ELE É E O QUE ELE NÃO É.
Em algum ponto não determinado, no decorrer dos últimos
vinte anos, nós, imperceptivelmente saímos da
idade moderna e entramos numa era nova, porém ainda sem denominação.
. . A antiga visão do mundo, as
velhas tarefas e o velho centro chamando-se a si próprios de
"modernos" e de "atualizados", há apenas
alguns poucos anos, já não mais têm qualquer sentido.
EIes ainda fornecem nossa retórIca, tanto de política
quanto de ciência, tanto internamente quanto no que se refere
aos negócios estranhos. Mas os slogans e os
ritos de guerra de todas as partes envolvidas, sejam elas políticas,
filosóficas, estéticas ou científicas, já não
mais servem para unir com vistas à ação - conquanto
eles ainda possam dividir no que se refere ao calor e à
emoção. Nossas ações ainda são medidas
em relação às rigorosas exigências do "hoje",
o mundo
"pós-moderno": e ainda não temos teorias, conceitos ou
slogans - nenhum conhecimento - sobre a nova
realidade.
Peter Drucker.
Escrevendo, em agosto de 1968, cheguei à conclusão de
que era impossível constestar a melancólica
afirmação de Peter Drucker. As duas recentes convenções
políticas nacionais com a "nova política" revelaram
a confusão na qual nos encontramos e estamos dentro de uma confusão,
porque não temos um
"conhecimento real" sobre a nova realidade, este mundo pós-industrial.
Atualmente a mudança é a maior história do mundo
e não a estamos enfrentando adequadamente: mudança
na quantidade e no movimento de pessoas; mudança na natureza,
localização e disponibilidade de
empregos; relações em mutação entre brancos
e negros, entre estudantes e professores, entre operários e
patrões entre gerações, e mudança violenta,
enfim; mudança violenta nas cidades; mudança nas relações
entre vilarejo e cidade entre cidade e metrópole entre metrópole
e nação e, naturalmente, mudança nas
relações entre os impérios que estão nascendo,
As organizações humanas são tão suscetíveis,
e talvez até mais, quanto outras instituições sociais
aos
tempos em mutação; mas ascensões e declínios
e seus bons êxitos e fracassos bem atestam sua
vulnerabilidade: Como John W. Gardner (1965) sugere, o que talvez mais
esteja necessitando de inovação é
a empresa em si. Talvez do que toda empresa (e uma ou outra organização)
necessite é de um departamento
de renovação contínua que possa visualizar a organização
toda como um sistema necessitando de contínua
inovação.
O desenvolvimento organizacional (DO) é uma resposta à
mudança, uma complexa estratégia educacional
que tem por finalidade mudar as crenças, as atitudes, os valores
e a estrutura de organizações, de modo que
elas possam melhor se adaptar aos novos mercados, tecnoIogias e desafios
e ao próprio ritmo vertiginoso de
mudança. O desenvolvimento organizacional é novo e ainda
está surgindo, tem apenas uma década de idade,
de modo que sua forma e potencialidade estão longe de serem
aceitas como verdadeiras e seus problemas
ainda se encontram longe de estarem resolvidos. Ele ainda mantém-se
firme na promessa de desenvolver o
"conhecimento real" do nosso mundo pós-moderno.
De início poderia ser útil passar em revista alguns exemplos
de desenvolvimento organizacional e a partir
destas ilustrações desenvolver uma mais completa e ampla
compreensão do assunto, ao invés de começar
com uma definição abstrata e talvez inútil.
Exemplo 1. Desenvolvimento de equipe. Em 1964, Douglas McGregor (1961)
era consultor de um grupo
administrativo da Union Carbide. Uma das tarefas explícitas
do consultor era a de ajudar a constituir "eficiente
equipe administrativa". Isto foi definido em termos de um certo número
de características, incluindo: 1)
compreensão, entendimento mútuo e identificação
no que se refere às metas do grupo; 2) comunicações
francas e abertas; 3) confiança mútua e recíproca;
4) apoio mútuo e recíproco; 5) tratamento eficiente dos
conflitos; 6) desenvolvimento de um uso seletivo e adequado do conceito
de equipe; 7) utilização adequada
das habilidades dos seus membros e 8) desenvolvimento de uma liderança
adequada. Suponho que estes
critérios fossem compartiIhados pela maioria das organizações
que estivessem precisando de esforços com
vistas a colaboração.
McGregor, juntamente com o chefe formal do grupo administrativo, John
Paulo Jones, delineou uma escala
não muito refinada, que representava, com o máximo de
fidelidade possível, estas características de uma
equipe eficiente (Tabela 1-1):
TABELA 1-1: Escala de desenvolvimento de equipe.
Grau de confiança recíproca:
Muita desconfiança_________________Confiança elevada.
(1) (4) (7)
Comunicações:
Restritas, cautelosas________________Francas, autênticas.
(1) (4) (7)
Grau de apoio recíproco:
Cada um por si_______________Legitima preocupação de uns pelos outros.
(1) (4) (7)
Objetivos da equipe:
Não compreendidos___________________Compreendidos claramente.
(1) (4) (7)
Tratamento dos conflitos dentro da equipe:
Através de recusa, escapatória, Aceitação e solução.
repressão ou acomodação_____________de conflitos.
(1) (4) (7)
Utilização das habilidades dos membros:
As habilidades da equipe Não são utilizadas as
são utilizadas__________________habilidades da equipe.
(1) (4) (7)
Métodos de controle:
0 controle é feito internamente__________0 controle é imposto.
(1) (4) (7)
Ambiente organizacional:
Restritivo, pressão para que Livre, de apoio, com
haja conformismo______________respeito por diferenças.
(1) (4) (7)
McGregor (1967, p. 172) escreve:
Eu tenho visto grupos, fazerem uso eficiente de uma escala simples de
avaliação (como a da tabela anterior)
com objetivos de análise. Após uma breve discussão
do significado de cada variável, cada membro preenche
o formulário anonimamente, avaliando o estado atual do grupo
dentro do seu ponto de vista pessoal. Com as
avaliações faz-se, então, um "pool" e, em seguida,
por um par de membros, é preparado um quadro
mostrando a média das avaliações e as "contagens"
alta e baixa para cada variável. Com base nestes
dados, o grupo discute quais os aspectos de sua operação
em grupo que necessitam de esforço e de
atividade mais intensa.
De acordo com McGregor, o principal objetivo desta prática é
o de proporcionar a cada membro do grupo um
"feedback" de como os outros concebem o grupo em relação
a si próprio e um "feedback’’ de como a
eficiência do grupo pode ser melhorada.
ExempIo 2. Conflito intergrupal. Entre os problemas recentes, com que
se defrontou o Departamento de
Estado norte-americano, estava uma improdutiva cisão entre os
funcionários do Foreign Service, às vezes
chamados de "o clube" de "a corporação", e o "staff"
administrativo do Departamento de Estado. A criação
de estereótipos e de desconfiança recíproca se
não de inequívoca e manifesta hostilidade, bloqueou as
comunicações e diminuiu de forma assustadora a eficiência,
pois cada "lado" encarava o outro como sendo
mais ameaçador do que qualquer inimigo real exterior.
Durante uma conferência do Departamento de Estado, realizada em
princípios de junho de 1966 no M.I.T. ,
Chris Argyris (1967) e eu dividimos um grupo de funcionários
do mais alto escalão administrativo e de
funcionários do Foreign Service em dois grupos levando em conta
as linhas funcionais. Os dois grupos foram
encaminhados a salas diferentes e foram solicitados a discutir três
perguntas e a desenvolver uma lista de
palavras ou frases que resumissem suas respostas:
Quais as qualidades que melhor descrevem o nosso grupo?
Quais as qualidades que melhor descrevem o outro grupo?
Quais as qualidades que podemos predizer que o outro grupo nos atribuirá?
Como Argyris (1961, pp. 20-21) escreveu:
A congregação de professores relatou que os grupos se
empenharam naquela prática e produziram
resuItados que refletiram de maneira válida as discussões
que foram travadas em suas diferentes salas de
reuniões.
Os resultados foram os seguintes:
Os funcionários de Foreign Service viam-se como sendo:
Pensativos e reflexivos.
Qualitativos.
Humanísticos, subjetivos.
Voltados para cuItura e para interesses amplos.
Generalizadores.
Dotados de sensibilidade intercuIturaI.
Desinteressados dos conflitos pessoais.
Os funcionários do Foreign Service viam os funcionários administrativos como sendo:
Executores e implementadores.
Quantitativos.
Resolutos e enérgicos.
Não voltados para a cultura.
De metas limitadas.
Ciumentos de nós.
Interessados mais na forma do que na substância.
"Prá frente!" (deles o ponto de exclamação).
Parasitas, mas necessários.
Os funcionários do Foreign Service predisseram que os funcionários
administrativos os considerariam como
sendo:
Arrogantes e esnobes.
Intelectuais.
Facciosos.
Resistentes a mudanças.
Ineficientes, "embromadores".
Vacilantes e acomodaticios.
Fracos.
Os funcionários administrativos viam-se a si próprios como sendo:
Decisivos, corajosos.
Desembaraçados, adaptáveis.
Pragmáticos.
Orientados para a prestação de serviços.
Com capacidade para serem bem sucedidos.
Receptivos às mudanças.
Dedicados ao cargo.
Incompreendidos.
Úteis.
Modestos! (acrescentado pela pessoa que fez a apresentação)
Os funcionários administrativos encaravam os funcionários do Foreign Service como sendo:
"Mascarados", isolados.
Desembaraçados, sérios.
Respeitados e acatados.
Inclinados para a estabilidade.
Dedicados ao cargo.
Necessários.
Orientados para o exterior.
Cautelosos.
Racionais.
Rodeados por uma mística.
Engendradores.
Defensivos.
Os funcionários administrativos predisseram que os funcionários
do Foreign Service os considerariam como
sendo:
Um mal necessário.
Defensivos, inflexíveis.
Preocupados com minúcias.
Negativistas e burocráticos.
De perspectivas limitadas.
Menos voltados para a cultura (funcionários educados).
Incompreendidos.
Práticos.
Protegidos.
Desembaraçados.
Depois de as listas terem sido elaboradas, os dois grupos se reuniram
e então passaram a discutir suas
listas e a ser interrogados pelo outro grupo no que se referia às
suas percepções. A discussão foi intensa, em
tom incisivo, barulhenta, eivada de argumentações, bem
humorada e, finalmente, várias horas depois, mais
calma e mais pensada. Pareceu como se cada uma das partes envolvidas
se dirigisse para uma posição na
qual por fim passariam a compreender o ponto de vista da outra parte.
Exemplo 3. Reunião de Confrontação. O diretor de
uma pequena e extraordinariamente bem sucedida
empresa de pesquisa e desenvolvimento educacionais telefonou-me para
saber se eu poderia ajudar aquela
empresa não-Iucrativa e em rápido crescimento. Ele sentia
que a organização tinha crescido muito
rapidamente; que as equipes de projetos não mantinham comunicação
entre si e, o que era pior, eram
extremamente concorrentes entre si; que a organização
tinha que tomar algumas decisões muito sérias sobre
o seu futuro, principalmente se eIa deveria ou não produzir
e comercializar as coisas maravilhosamente
criativas que estava inventando para sistemas escolares; e, além
de tudo isto, ele se sentiu aflitamente
atrasado em relação ao seu próprio trabalho criativo
e quis saber se o seu escritório poderia ou não ser
administrado mais eficientemente. Também me tornou claro que
as pessoas nada queriam com grupos-T ou
com treinamento da sensitividade. Passei uma manhã inteira com
o diretor e com todo o seu "staff"
profissional, composto de cerca 40 pessoas, a maioria delas detentoras
do grau de PhD e também ao
mesmo tempo desempenhando funções em universidades próximas.
Tudo o que o diretor me havia relatado foi confirmado pelas entrevistas
com o "staff" profissional, exceto na
parte em que ele achava que a liderança da empresa estava muito
frouxa, não-estruturada e muito
freqüentemente "invisível". Pareceu-me que o diretor, conquanto
maravilhosamente carismático, era visto por
seu "staff" como despendendo parte por demais ponderável do
seu tempo em Washington, ou no seu
gabinete de trabalho na universidade, ou onde a ele não se poderia
ter acesso.
Concordamos em passar um dia inteiro juntos numa "reunião de
confrontação" a ser realizada na semana
seguinte. A reunião de confrontação, inventada
por Richard Beckhard (1967) (Ver Volume II desta série),
parecia ser idealmente adequada para este caso. Todo o grupo de 40
profissionais, juntamente com o diretor,
se reuniu por sete horas num motel das proximidades. Eu usei a primeira
meia hora passando em revista a
história recente e expondo certas generalizações
elementares referentes às organizações humanas. Eu
expus
certos conceitos sobre organizações, os quais eles poderiam
considerar úteis quando falassem sobre eles
mesmos. Na fase seguinte, que durou uma hora, o grupo de 40 foi fragmentado
em oito grupos de cinco
fazendo-se um corte oblíquo em todas as linhas organizacionais
formais e, em seguida, os participantes
foram solicitados a discutir os "problemas mais significantes com que
se defrontavam para conseguir que seu
trabalho fosse executado. Quais eram os fatores que os estavam desmotivando?
O que os "amolava?" Eles
foram solicitados a voltar uma hora depois com uma lista dos seus principais
problemas e causas desses
problemas. Os oito grupos retornaram com dúzias de pedaços
de papel (os quais foram afixados ou
dependurados ao longo das paredes), enumerando acima de 200 problemas.
Eu então procurei classificar os
problemas e cheguei a cinco categorias principais:
questões referentes à identidade e ao destino da empresa,
questões referentes à colaboração e à concorrência,
questões referentes à autoridade, à influência e ao poder,
questões referentes à competência e, mais precisamente, dúvidas sobre a competência de outras pessoas, e
questões sobre expectativas e esclarecimento do tipo "quem esperava o que e de quem?."
Cada um dos 200 problemas ou mais foi enumerado de um a cinco, indicando
sua particular categoria.
Depois do almoço, os membros do grupo foram reagrupados de acordo
com a posição que ocupavam na
estrutura organizacional formal da empresa e foram solicitados a despender
por volta de uma hora na
elaboração de recomendações, que poderiam
ser feitas ao diretor e à alta administração, sobre
os principais
problema que sentiam existir dentro de suas particulares esferas de
influência. O diretor e seu "staff"
administrativo trabalharam juntos durante este período. Finalmente,
no último período de uma hora e meia, o
grupo voltou a se reunir e todos os grupos, um após o outro,
enfrentaram o diretor com as recomendações
que tinham trazido. Para resumir, o dia transcorreu da seguinte forma:
09,30 h às 10,00 h Apresentação
10,00 h às 11,00 h Coleta de dados - criação de problemas
11,00 h às 12,00 h Troca de informações e cIassificação
13,30 h às 14,45 h Estabelecimento de prioridades e planejamento de ação
14,45h às 16,30h Confrontação e implantação
Para se ter uma idéia mais concreta dos problemas, um dos grupos enumerou os seguintes:
Reuniões como estas deveriam começar no horário
preestabelecido. "Coisas irritantes de importância
secundária", como reuniões que são postergadas,
raramente são comunicadas às pessoas.
A estrutura de autoridade está um tanto confusa. Quem é o chefe? Quem faz a avaliação do meu trabalho?
Até recentemente tinha havido pouca fecundação cruzada.
O diretor é inacessível. Os membros da estrutura de poder
são muito acessíveis para alguns, mas o Dr. X
(Diretor Associado) não responde aos chamados telefônicos
que lhe são dirigidos. Como resultado disto
aumentou muito o número de memorandos.
Não existe qualquer sistema de estabelecimento de prioridades
para distribuição de materiais. Existe alguma
política? Seria possível ter-se uma?
Para os recém-admitidos na empresa é um problema descobrir quem faz o que na organização.
Há um número muito grande de pessoas empregadas e então
não se lhes permite pôr em prática as
habilidades que motivaram sua admissão.
Um número muito grande de reuniões é levado a efeito sem uma agenda específica.
Como são comunicadas as informações e as decisões que surgem nestas reuniões?
A obrigação de assumir a responsabilidade de diretor atuante
de projeto tirou-me de minha área de interesse
principaI - isto é irritante e aborrecedor.
Dificuldade para se obter uma avaliação segura dos pontos fortes e das fraquezas das pessoas.
Quem toma decisões por aqui?
A parte financeira está caótica. A quem deveremos recorrer na nossa procura por recursos monetários?
Mesmo que não tenham sido recebidas com agradecimentos, as recomendações
feitas pelo "staff" ao Diretor
foram recebidas sem rancor e por certo se tornaram objeto de grande
preocupação. Como resultado deste
encontro passaram a ser levadas a efeito reuniões mais significativas
e com periodicidade mais rigorosa,
evoluiu uma estrutura organizacional clara e definida e, o que é
mais importante, o Diretor percebeu que ele
deveria dedicar a maior parte do seu tempo a assuntos importantes e
essenciais. E decidiu ceder sua função
a uma outra pessoa da empresa e que tinha ambição e talento
administrativos.
Exemplo 4. "Feedback" de dados. Seis departamentos de contabilidade
realizaram "surveys" ligados a
aspectos de sua organização, trabalho e relações
humanas. Estes departamentos empregavam cerca de 60
supervisores e 640 empregados com funções não
ligadas à supervisão. Quatro departamentos foram
informados dos resultados dos seus questionários - "feedback"
- em conferências realizadas no decorrer de
um período superior há 12 meses e foram chamados de "departamentos
experimentais". Os outros dois
departamentos de controle não receberam qualquer atenção
especial da administração ou do grupo de
pesquisa, além das práticas administrativas normais.
Tanto antes quanto depois da experiência com
"feedback" de dados, estes departamentos preencheram extensos questionários
que abrangiam uma ampla
variedade de atitudes e opiniões referentes aos principais aspectos
da situação de trabalho. Dever-se-ia
salientar que os "departamentos experimentais" tiveram discussões
intensas durante quase um ano,
discussões que tinham como base os "surveys" a que eles próprios
tinham sido submetido.
Quando os grupos experimentais e os grupos de controle foram comparados,
chegou-se à conclusão de que
os grupos que tinham recebido "feedback" de dados sentiam que:
Sentiam-se melhor quando terminavam o seu trabalho.
Sentiam-se mais à vontade para levar seus problemas de trabalho aos seus supervisores.
Seus supervisores compreendiam melhor seus pontos de vista.
Seus supervisores viviam melhor uns com os outros.
Eles compreendiam melhor como seus supervisores viam as coisas.
E o autor do estudo (Baumgartel, 1959, p. 6) concluiu:
Os resultados deste estudo sugerem que o uso criativo de novas informações
para conferências e reuniões
em todos os níveis de organização departamental
pode ser uma das melhores e mais dinâmicas diretrizes
para o desenvolvimento administrativo e para o crescimento organizacional.
Exemplo 5. Elementos de um programa de um ano. Em 1960, uma pequena
refinaria com cerca de 500
empregados (dos quais 60 na parte administrativa) estava à beira
da falência e praticamente "nas últimas",
decorrência da superoferta mundial de produtos de petróleo
e também devido a especiais problemas de
produção da refinaria. A matriz tinha decidido encerrar
as atividades da refinaria, mas o aparecimento de
pressões políticas e sindicais bem como certas mudanças
de diretrizes por parte do escritório central
conduziram a uma tentativa de revitalização da refinaria.
Foi admitido um novo gerente de alto nível e o "staff"
do escritório central de Nova York foi trazido para ajudar no
desenvolvimento organizacional da refinaria.
Depois de ter sido concluído um "survey" administrativo, foram
realizadas intensivas sessões de "feedback"
com cada uma das unidades componentes. Isto foi acompanhado por uma
série de seminários semanais
ministrados por teóricos de organização altamente
conceituados cujo principal objetivo era o de fornecer um
certo número de modelos para se pensar em termos de mudança
organizacional. Depois disso, todos os 60
supervisores participaram de um laboratório de treinamento da
sensitividade com a duração de uma semana,
no qual a principal ênfase foi dada às competências
interpessoais e às habilidades com vistas à
coordenação intergrupal. Como resultado destes empreendimentos
educacionais, depois dos quais foram
levados a efeito uma reavaliação de necessidades e um
rediagnóstico, chegou-se a um sistema de conjunto
para a fábrica como um todo, juntamente com uma modificação
do plano Scanlon de trabalho. Esta foi a
primeira vez que o plano Scanlon teve uma adaptação bem
sucedida a uma indústria de transformação.
O QUE É O DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL?
Com base nos exemplos anteriormente expostos, podemos voltar ao título
deste capítulo introdutório e
delinear as características básicas do desenvolvimento
organizacional.
Antes de mais nada, é uma estratégia educacional adotada
para se chegar a uma mudança organizacional
planejada. As estratégias diferem consideravelmente. Em alguns
casos, como no exemplo de "feedback" de
dados, nada de mais complicado foi utilizado do que um questionário
e uma discussão em grupo. No caso da
refinaria foram empregados tecnologias mais complexas, desde sessões
razoavelmente elaboradas de
treinamento da sensitividade até fatores econômicos e
de custos. Note-se também, que os pontos de entrada
variaram. Por exemplo, no caso do Departamento de Estado, as relações
intergrupais foram encaradas como
sendo um ponto estratégico extremamente importante. O caso da
Union Carbide e, em menor magnitude, o
caso da refinaria, tiveram suas ações convergindo para
o desenvolvimento de equipe. Qualquer que seja a
estratégia, o desenvolvimento organizacional quase sempre se
concentra nos valores, atitudes, relações, e
clima organizacionais - as "variáveis das pessoas" - como um
ponto de entrada, ao invés de nas metas,
estruturas e tecnologias da organização.
Isto pode ser melhor explicado por força do fato de que o agente
de mudança é quase sempre um cientista
profissional do comportamento e naturalmente encararia os aspectos
humano-sociais de uma situação como
sendo os mais compreensíveis, se não os mais acessíveis
e os mais sensíveis à mudança. Naturalmente este
é um ponto extremamente controvertido, no qual não entrarei
agora a não ser para dizer que há muitos
(inclusive eu próprio, às vezes) que acreditam que outros
aspectos de sistemas clientes podem ser mais fácil
e economicamente mudados com resultados muito melhores e mais dignos
de confiança. Não obstante, na
maioria das vezes, o desenvolvimento organizacional toma o lado humano
da empresa como o seu mais
conveniente e cômodo ponto de atenção.
A segunda característica é a de que as mudanças
que se buscam estão diretamente Iigadas com a exigência
ou necessidade que a organização está procurando
enfrentar. Em casos muito raros, como na situação da
refinaria, é uma questão de sobrevivência; em outros
casos mais típicos, é uma empresa nova e em rápida
expansão (como a empresa de pesquisa e desenvolvimento educacionais)
defrontando-se com uma "crise de
destinação". O problema tácito na ilustração
proporcionada pelo caso do Departamento de Estado foi o de
uma função em mutação para o funcionário
do Foreign Service, uma função que tinha que incluir componentes
de administração, um elemento novo e um tanto vago, por
certo desvalorizado pelos funcionários do Foreign
Service e igualmente certo como sendo fundamental para o bom êxito
na próxima década. Os casos de
desenvolvimento organizacional, nos quais eu estive envolvido nos últimos
pouco mais ou menos dez anos
abrangeram problemas de comunicação (principalmente de
baixo para cima), conflitos intergrupais,
problemas de Iiderança (principalmente problemas referentes
à sucessão), questões de identidade e de
destino (quase sempre devidas a crescimento espetacular ou a progressos
tecnológicos), questões sobre
satisfação e sobre a capacidade da organização
de proporcionar induzimentos certos e adequados
(principalmente para profissionais) e questões de eficiência
organizacional mensuradas pelos indicadores
inflexíveis do lucro, do desperdício, do custo, do "turnover"
da mão-de-obra - ou por qualquer outra medida da
eficiência. Em geral todas exigências mencionadas e outras
que não citei podem ser agrupadas em três
categorias:
problemas de destino-crescimento, identidade e revitalização,
problemas de satisfação e desenvolvimento humanos e
problemas de eficiência organizacional.
Uma terceira característica é que o desenvolvimento organizacional
se baseia numa estratégia educacional
que dá ênfase ao comportamento que já foi uma experiência
anterior. Assim, o "feedback" de dados, o
treinamento da sensitividade, a reunião de confrontação
e outros métodos baseados na experiência são
amplamente utilizados para produzir dados e experiências publicamente
trocados e sobre os quais o
planejamento e a ação são baseados. Somente para
ficar com a reunião de confrontação por um minuto,
podemos ver os seguintes passos:
gerar dados referentes à urgência,
fazer o "feedback" de dados a grupos e pessoas relevantes e
Planejar a ação com base nos passos 1 e 2.
O desenvolvimento de uma mais eficiente "administração
de equipe", isto é, a capacidade, como no caso da
Union Carbide para que os grupos funcionais trabalhem mais competentemente.
O desenvolvimento de melhores métodos para a "solução
de conflitos". Ao invés de serem usados os
métodos burocráticos usuais, que se baseiam, principalmente,
na repressão, na acomodação e no poder
amoral, passam a ser procurados métodos mais racionais e mais
francos de solução de conflitos.
O desenvolvimento de sistemas orgânicos ao invés de sistemas
mecânicos. Esta é uma forte reação contra a
idéia de que, organizações são mecanismos
nos quais os administradores "trabalham", como se fossem
movimentados por toques em botões de máquinas automáticas.
São os seguintes os modos pelos quais os
sistemas orgânicos diferem dos sistemas mecânicos.
Sistemas mecânicos
Sistemas orgânicos
A ênfase é exclusivamente individual.
A ênfase é nos relacionamentos entre os e dentro dos grupos.
Relacionamento do tipo autoridade-obediência.
Confiança e crença recíprocas.
Uma rígida adesão à delegação e à responsabilidade dividida
Interdependência e responsabilidade compartilhada.
Divisão do trabalho e supervisão hierárquica rígidas.
Participação e responsabilidade multigrupal.
A tomada de decisões é centralizada.
Amplo compartilhamento de responsabilidade e de controle.
Solução de conflitos por meio de repressão, arbitramento e/ou hostilidade.
Solução de conflitos através de negociação ou de solução de problemas.
É natural que nem todos os agentes de mudança concordariam
com o que foi anteriormente exposto e é muito
provável que haveria muitas variações em torno
dos temas que eu desenvolvi. No entanto, ressalvando-se
importantes exceções, a maioria provavelmente aceitaria
os amplos compromissos de valores anteriormente
enumerados. As diferenças entre os agentes de mudança
tornam-se ainda mais acentuadas no que se refere
às suas escolhas de estratégias e de programas educacionais
para a implantação destas metas normativas.
Os volumes seguintes desta série fornecem exemplos concretos
das diferenças que eu, possivelmente muito
cavalheirescamente, omitiria.
Uma quarta característica é que os agentes de mudança
são, na maioria das vezes, mas não exclusivamente,
externos em relação ao sistema-cliente. Este é
um outro ponto controvertido no qual não precisamos entrar
agora. Há alguns poucos exemplos de extraordinários agentes
internos de mudança, como Sheldon Davis (da
TRW Systems) ou Alfred Marrow (da Harwood Manufacturing Company). No
entanto, falando-se de um modo
muito geral, por certo que, durante as fases iniciais agentes externos
de mudança se apresentam como
necessários. Isto é verdadeiro por um grande número
de razões, nas quais de modo algum está um princípio
difundido pela sabedoria convencional de que o consultor externo traz
consigo muito maior poder de
influência. Desconfio que muito mais relevante é o aspecto
de que o consultor externo pode dirigir as coisas
de molde a afetar - mais uma vez principalmente no início -
a estrutura de poder de um tal modo que a maioria
dos agentes internos de mudança não está capacitada
a fazê-lo. Isto mais uma vez pode estar relacionado à
aura criada por um consultor externo (freqüentemente muitíssimo
bem pago), mas está igualmente
relacionado à capacidade de o agente externo de mudança
"ver" com mais simplicidade e clareza os
problemas que os "de dentro" podem ter por muito tempo aprendido a
evitar ou a omitir e com toda a certeza
a encarar com inquietação e mesmo angústia. Quaisquer
que sejam os argumentos que possam ser
apresentados a favor ou contra, no que se refere ao problema de se
os agentes de mudança devem ser
internos ou externos minha própria conclusão é
a de que o debate se torna inexpressivo e sem sentido após o
estágio inicial (ou estágio de "descongelamento"), mas,
no decorrer das fases iniciais de qualquer programa
de desenvolvimento organizacional pode-se considerar como essencial
a presença de um agente externo de
mudança.
Uma quinta característica é que o desenvolvimento organizacional
implica num relacionamento de
colaboração entre o agente de mudança e os componentes
do sistema cliente. "Colaboração" é uma palavra
difícil de ser tratada com justiça, mas ela envolve confiança,
determinação conjunta de metas e de meios e
elevada influência recíproca.
De fato, eu, dificilmente, poderia pensar num melhor conjunto de categorias
para o que se entende por
"colaboração" do que o desenvolvido por McGregor e Jones
e a que, sob a denominação de
"desenvolvimento de equipe", se fez referência no primeiro exemplo
que foi mencionado.
Uma sexta característica é a que os agentes de mudança
compartilham de uma filosofia social, um conjunto
de valores sobre o mundo em geral e sobre as organizações
humanas em particular, a qual molda suas
estratégias, determina suas intervenções e, em
boa parte comanda suas respostas aos sistemas-clientes. O
que ocorre com maior freqüência é que os agentes
de mudança acreditam que a realização e a concretização
destes valores levará, no final das contas, não apenas
a um sistema mais humano e mais democrático, mas
também a um sistema mais eficiente. Ao que se chega é
a uma avaliação grosseira, tendo-se em mente que
haveria importantes diferenças individuais entre os agentes
de mudança, diferenças estas baseadas em suas
cosmologias e competências. Argyris (1962) fornece um modelo
gráfico que serve de exemplo. Ele mostra o
pretenso sistema de valores que domina a maioria das organizações
modernas, ou seja, os valores
burocráticos. Estes valores, basicamente impessoais, orientados
para as tarefas a serem executadas e
negando os valores humanísticos e democráticos, conduzem
a relacionamentos precários, superficiais e
baseados na desconfiança. Estes relacionamentos são falsos
e inautênticos e basicamente incompletos, isto
é, eles não permitem a expressão natural e livre
de sentimentos. Estes relacionamentos inautênticos levam a
um estado ao qual Argyris denomina "declinante competência interpessoal",
um resultado dos
relacionamentos superficiais e não evoluídos. Sem competência
interpessoal ou sem um ambiente
"psicologicamente seguro", a organização é um
caldo de cultura para a desconfiança, para o conflito
intergrupal, para a inflexibilidade e assim por diante, o que por sua
vez conduz a um declínio do bom êxito da
organização na solução de problemas.
Este é o modelo: os valores burocráticos tendem a dar
ênfase aos aspectos racionais de trabalho e aos
aspectos de trabalho exclusivamente voltados para as tarefas a serem
executadas e a ignorar os fatores
humanos básicos que estejam relacionados à tarefa e que,
se ignorados, tendem a reduzir a eficiêncla
organizacional. Os administradores criados e educados dentro deste
sistema de valores são maldosamente
postos a desempenhar as intricadas funções humanas que
agora lhes são exigidas. A inaptidão deles e suas
ansiedades conduzem a sistemas de discórdia e de defesa, que
interferem na capacidade da organização
para solucionar problemas.
A sétima característica é de que os agentes de
mudança compartilham de um conjunto de metas normativas
baseadas em sua filosofia. As metas normativas básicas podem
ser deduzidas da filosofia social delineada
na seção anterior. As mais comumente procuradas são:
Melhora da competência interpessoal.
Uma mudança nos valores de modo que os fatores e os sentimentos
humanos venham a ser considerados
legítimos.
O desenvolvimento de uma crescente compreensão entre e dentro
dos grupos de trabalho com o objetivo de
reduzir as tensões.
Hollis Peter (Bennis and Peter,1967, p. 31 ) desenvolveu um modelo gráfico
que retrata com admirável
simplicidade a maioria dos elementos que eu descrevi. Voltando ao assunto:
uma exigência, quer interior quer
externa à organização, estimula uma resposta por
parte de um agente externo para aplicar conhecimentos
válidos a um sistema-cliente. Em última análise,
estes passos levam (ao menos nos casos bem sucedidos) a
uma melhora nos "rendimentos" do sistema.
CONCLUSÃO
Em conclusão, poderia ser útil dizer-se algumas poucas
palavras sobre o que o desenvolvimento
organizacional não é. Entrementes, deve ficar claro que
o desenvolvimento organizacional não é
simplesmente treinamento da sensitividade. Pode-se ter certeza de que
muitos profissionais do
desenvolvimento organizacional confiam, numa maior ou menor proporção,
em programas educacionais
baseados em experiência: e é freqüentemente utilizada
alguma variação de treinamento da sensitividade. No
entanto, como tentei mostrar, uma ampla variedade de programas pode
ser eficiente, desde sessões de
"feedback" de dados até reuniões de confrontação.
O que é importante no desenvolvimento organizacional é
que os dados são gerados pelo próprio sistema-cliente.
Freqüentemente, estes são os únicos dados que de
qualquer maneira contam, pois há provas suficientes de que aos
dados coletados sobre os "outros" (não
importa quão válidos eles sejam), quase sempre falta
o impacto dos dados autogerados.
Espero que, entrementes, também esteja claro que o desenvolvimento
organizacional não é mais uma outra
versão fantasiosa de liderança "permissiva. ". O que
me deixa confuso e intrigado é o fato de que este mito
continua a ser perpetuado a despeito de todas as experiências
em contrário. O desenvolvimento
organizacional não receita qualquer particular estilo de liderança,
senão um que seja franco e confrontador,
que pode ser tudo, menos "permissivo". Nem implica ele num consenso
grupal como a única forma de tomada
de decisões, conquanto alguns autores (como Blake e Mouton)
certamente acreditem que o consenso é uma
conclusão natural, desde que o treinamento seja feito sob a
orientação do "Managerial Grid".
O valor básico subjacente a toda a teoria e a toda a prática
do desenvolvimento organizacional é o da
escolha. Através de uma maior concentração da
atenção e através da coleta e do feedback de dados
relevantes para pessoas relevantes, torna-se disponível um maior
número de opções e daí melhores decisões
podem ser tomadas. Isto é o que o desenvolvimento organizacional
é na sua essência: uma estratégia
educacional que emprega os meios mais amplos possíveis de comportamento,
baseada na experiência e
com o objetivo de alcançar melhores e maior número de
opções organizacionais num mundo altamente
turbulento.
2. AS CONDIÇÕES BÁSICAS QUE CRIAM A NECESSIDADE
DO DESENVOLVIMENTO
ORGANIZACIONAL
As circunstâncias de um mercado em constante mutação
e de um produto também em constante mutação
são capazes de esmagar qualquer organização empresariaI,
se esta organização não estiver preparada para
a mudança - na verdade, em minha opinião, se ela não
tiver providenciado os procedimentos para antecipar a
mudança.
Alfred P. Sloan
Nem os cientistas do comportamento e nem suas teorias, fizeram com que
o desenvolvimento organizacional
se tornasse necessário. Eles, os cientistas e suas teorias,
naturalmente ajudaram, mas não deve haver
dúvidas de que Alfred P. Sloan apontou a verdadeira causa: a
mudança. Nossas instituições sociais não
podem opor-se ou deixar de tomar conhecimento do ritmo assolador de
mudança sem alterações
fundamentais na maneira pela qual elas lidam com seus ambientes e na
maneira como elas conduzem as
principais operações de sua empresa. O desenvolvimento
organizacional não é algo que seja "bacana" e que
se tenha em volta de si, como um dispositivo novo e reluzente ou porque
seu sistema de valores se
assemelha a nossa ética cristã-judaica. O desenvolvimento
organizacional é necessário sempre que nossas
instituições sociais concorrem e lutam pela sobrevivência
sob condições de mudança crônica.
A instituição social que coordena a atividade de quase
todas as organizações humanas que conhecemos -
industriais, governamentais, educacionais, de pesquisas, militares,
religiosas, voluntárias - é conhecida por
burocracia. No sentido em que a ela aqui me refiro, a burocracia é
uma invenção social que foi aperfeiçoada
durante a Revolução Industrial, com o objetivo de organizar
e de dirigir as atividades da empresa. Sob as
condições do século XIX, a burocracia foi uma
resposta adequada, mas tenho a convicção, que é
compartilhada por muitos profissionais e estudantes do comportamento
organizacional, de que esta forma de
organização não pode atender e enfrentar satisfatoriamente
realidades do século XX. De fato, a menos que
seja considera e implantada uma revisão fundamental, as organizações
encontrarão sérios empecilhos para
atingir suas metas, se de qualquer modo elas pretenderem sobreviver.
O desenvolvimento organizacional é
uma maneira de agir que capacita a administração a passar
a dispor de mais conscientização no que se
refere à renovação e à revitalização
de modo que respostas novas e mais inovadoras possam ser
desenvolvidas pelas organizações que irão se defrontar
com a extraordinária turbulência da próxima década.
O que segue é uma análise pormenorizada da burocracia
e porque ela é particularmente vulnerável dentro das
condições contemporâneas. Depois disso virá
uma identificação dos principais problemas humanos, com os
quais a liderança administrativa se defronta, e o papel do desenvolvimento
organizacional na facilitação da
necessária evolução no sentido de novas formas
de vida organizacional.
A burocracia é formada dos seguintes componentes:
Uma bem definida cadeia de comando.
Um sistema de regras e de procedimentos para lidar com todas contingências
que se relacionem com as
atividades de trabalho.
Uma divisão do trabalho baseada na especialização.
Promoção e seleção baseadas na competência técnica.
Impersonalidade nas relações humanas.
É uma disposição em forma de pirâmide, que vemos na maioria dos organogramas.
"modelo de máquina" burocrático foi desenvolvido como
uma reação contra a subjugação pessoal, contra
o
nepotismo, contra a crueldade e contra os julgamentos caprichosos e
subjetivos que passaram a constituir
práticas administrativas durante os primórdios da Revolução
Industrial. A burocracia surgiu como decorrência
da necessidade que as organizações sentiram de ordem
e de exatidão e das exigências dos trabalhadores
por um tratamento imparcial. Era uma organização idealmente
ajustada aos valores e exigências da Era
Vitoriana. E assim como a burocracia surgiu como uma resposta criativa
a uma época radicalmente nova, da
mesma forma novos esquemas organizacionais devem hoje ser desenvolvidos.
Primeiramente, tentarei mostrar porque as condições de
nosso moderno mundo industrializado levarão à
morte da burocracia. Na segunda parte deste capítulo, sugerirei
um esboço de modelo da organização do
futuro.
Existem, ao menos, quatro ameaças relevantes à burocracia:
Uma transformação rápida e inesperada.
Um aumento de tamanho onde o volume das atividades tradicionais da organização
não é suficiente para
sustentar o crescimento. (Diversos fatores passam a prevalecer aqui:
"overhead’ burocrático, controles mais
rigorosos e apertados e impersonalidade devidos a alastramentos burocráticos,
regras e estruturas
organizacionais superadas).
A complexidade da tecnologia moderna, onde for exigível integração
entre atividades e pessoas altamente
especializadas e de competências muito diferentes.
Uma ameaça basicamente psicológica surgindo de repente
de uma mudança no comportamento
administrativo.
Seria útil que se examinasse até que ponto estas condições existem no momento presente.
UMA TRANSFORMAÇÃO RÁPIDA E INESPERADA
O ponto forte da burocracia é sua capacidade de lidar eficientemente
com tudo aquilo que seja rotineiro e
previsível nos assuntos que envolvam seres humanos. É
quase suficiente citarem-se as explosões
demográficas de conhecimentos para se levantarem dúvidas
sobre sua viabilidade contemporânea. No
entanto, muito mais esclarecedoras são as estatísticas
que comprovam estas frases supercaprichadas e
superelaboradas:
A produtividade homem-hora de nossa produção está
agora duplicando por volta de cada 20 anos, ao invés
de em cada 40 anos, como ocorria antes da II Guerra Mundial.
Somente o Governo Federal dos Estados Unidos gastou 16 bilhões
de dólares em atividades de pesquisa e
desenvolvimento durante o ano de 1965; e gastará 35 bilhões
por volta de 1980.
O intervalo de tempo entre uma descoberta técnica e o reconhecimento
dos seus usos comerciais era de 30
anos antes da I Guerra Mundial, de 16 anos entre as duas guerras e
de apenas 9 anos desde a II Guerra
Mundial.
Em 1946, apenas 42 cidades do mundo tinham populações
de mais de 1 milhão de habitantes. Hoje existem
90. Em 1930, havia 40 pessoas para cada milha quadrada da superfície
terrestre. Hoje existem 63. Espera-se
que, por volta do ano 2000, o numero deverá ter subido para
142.
A burocracia, com sua cadeia de comando tão bem definida, suas
regras e suas inflexibilidades, esta mal
ajustada à rápida transformação que o ambiente
agora está a exigir.
UM AUMENTO DE TAMANHO
Conquanto na teoria possa não haver qualquer limite natural para
a altura da pirâmide burocrática, na prática,
o elemento de complexidade é quase invariavelmente introduzido
em grandes proporções. Para citar-se um
significante elemento novo, as operações internacionais
são antes a regra do que a exceção para uma
grande parte das nossas maiores empresas. Empresas como a Standard
Oil Company (New Jersey), mais
de uma centena de subsidiárias estrangeiras, a Mobil Oil Company,
a The National Cash Register Company,
a Singer Company, a Buroughs Corporation e a Colgate-Palmolive Company,
conseguem em suas vendas
externas mais da metade de suas receitas ou Iucros. Muitas outras -
tais como a Eastman Kodak Company, a
Chas. Pfizer Company, Inc., a Caterpillar Tractor Company, a International
Harvester Company, a Corn
Products Company e a Minnesota Mining & Manufacturing Company -
fazem de 30 a 50%, de suas vendas no
exterior. As vendas da General Motors Corporation são não
apenas nove vezes maiores do que as da
Volkswagen, mas são também maiores do que o produto nacional
bruto da Holanda e bem superiores do que
o PNB de uma centena de outros países. Se vimos o por de sol
no Império Britânico, pode ser que jamais
vejamos o sol se por nos impérios da General Motors, da ITT,
da Shell e da Unilever.
UMA CRESCENTE DIVERSIFICAÇÃO
As atividades de hoje exigem pessoas cujas competências sejam
diversificadas e altamente especializadas.
Numerosos exemplos dramáticos podem ser extraídos de
estudos de mercados de trabalho e de mobilidade
de empregos. Numa ocasião, durante a década passada,
os Estados Unidos tornaram-se a primeira nação a
empregar mais pessoas em ocupações ligadas a serviços
do que na produção de bens tangíveis. São
exemplos desta tendência:
No campo da educação, o aumento de emprego entre 1950
e l960 foi maior do que o número total de
pessoas empregadas nas indústrias do aço, do cobre e
do alumínio.
No campo da saúde, o aumento de emprego entre I950 e I960 foi
maior do que o emprego total no setor de
mineração em 1960.
Estas mudanças e muitas outras mais difíceis de serem
demonstradas estatisticamente derrubam a velha
tendência industrial no sentido de um número cada vez
maior de pessoas executarem tarefas pequenas e
simples ou não-diferenciadas.
Um crescimento apressado, uma transformação rápida
e um aumento na especialização - ponha estes três
fatores em confronto com os cinco componentes da estrutura da pirâmide
descritos anteriormente e
deveremos esperar que a pirâmide da burocracia comece a cair
aos pedaços.
MUDANÇA NO COMPORTAMENTO ADMINISTRATIVO
Acredito que haja uma mudança sutil, porém perceptível.
na fiIosofia subjacente ao comportamento
administrativo. No entanto, sua magnitude e natureza e seus antecedentes
são obscuros devido a dificuldade
de se lhe atribuírem números. (Em qualquer outra coisa
que as estatísticas fazem por nos, elas proporcionam
uma bem recebida iIusão de certeza). Não obstante, parece
estar ocorrendo uma transformação real devido
a:
Um novo conceito de homem, baseado num crescente e maior conhecimento
de suas complexas e mutáveis
necessidades, o qual substitui uma idéia de homem ultrasimplificada,
inocente e do tipo "aperta-botões".
Um novo conceito de poder, baseado na colaboração e na
razão, o qual substitui um modelo de poder
baseado na coação e na ameaça.
Um novo conceito de valores organizacionais, baseado em ideais humanístico-democráticos,
o qual substitui
o sistema de valores despersonalizado e mecanístico da burocracia.
A causa primordial deste deslocamento da filosofia administrativa se
origina não da estante de livros, mas
sim dos próprios administradores. Muitos dos cientistas do comportamento,
como Douglas McGregor ou
Rensis Likert, esclareceram e enunciaram com nitidez - e mesmo legitimaram
- o que os administradores
tinham indicado e anotado apenas pela metade para si próprios.
Por exemplo, estou convencido de que a
popularidade do livro de McGregor, The Human Side of Enterprise, foi
baseada na sua rara empatia para uma
vasta audiência de administradores que estão ansiosos
por uma alternativa para o conceito mecanístico de
autoridade, isto é, ele delineou uma utopia viva de relacionamentos
humanos mais autênticos do que a
maioria das práticas organizacionais hoje permite. Além
do mais, acredito que o desejo por relacionamentos
na empresa tem pouco a ver com um motivo de lucro em si, conquanto
ele freqüentemente seja racionalizado
ao fazê-lo. O verdadeiro estímulo para estas alterações
tem sua origem na necessidade não apenas de
humanizar a organização, mas para usá-las como
uma severa prova de crescimento pessoal e de
desenvolvimento da auto-realização.
Um outro aspecto neste deslocamento dos valores prende-se à histórica
busca do homem por
autoconsciência e pelo desejo de usar o raciocínio e a
razão para atingir e ampliar suas potencialidades e
suas possibilidades. Esta deliberada auto-análise se propagou
para sistemas sociais grandes e mais
complexos - organizações nas quais tem havido um dramático
aparecimento deste espírito de inquirição no
decorrer destas duas últimas décadas. Em novas profundezas
e por uma ampla gama de assuntos, as
organizações estão abrindo suas operações
para a auto-inquirição e para a auto-análise, o que
envolve uma
mudança em como os homens que fazem a história e os homens
que fazem o conhecimento se julgam uns
aos outros. Os cientistas compreenderam sua afinalidade com os homens
de negócios e estes últimos
passaram a ter uma nova receptividade e um novo respeito para com os
homens do conhecimento.
Estou chamando este novo desenvolvimento de "revitalização
organizacional", um complexo processo social
que envolve um exame deliberado e autoconsciente do comportamento organizacional
e um relacionamento
de cooperação entre administradores e cientistas com
vistas à melhora do desempenho. Para muitos, esta
nova forma de colaboração pode ser tida como um fato
consumado. Eu simplesmente encarei como inevitável
e natural a reciprocidade entre acadêmicos e administradores.
Mas posso assegurar que este
desenvolvimento não tem precedentes, que nunca antes na história,
em qualquer sociedade, o homem no seu
contexto organizacional tão desejosamente procurou, verificou,
examinou, inspecionou ou ponderou - em
busca de significado, de objetivo, de melhora.
Este deslocamento de perspectivas exigiu uma boa dose de coragem de
ambas as partes deste encontro. O
administrador teve que jogar fora velhos preconceitos que tinha em
relação aos intelectuais "cabeludos", e
"cabeças de bola de bilhar". O que é mais importante
é que o administrador teve que tornar ele próprio e sua
organização vulneráveis e receptivos a fontes
externas e a informações novas, inesperadas e mesmo não
desejadas. Por outro lado, o acadêmico teve que abandonar algumas
das suas hesitações naturais. O
conservantismo academista é admirável, exceto como algo
atrás do qual se esconder, e por um longo período
de tempo a cautela foi uma defesa contra a realidade.
Poderia ser útil discorrer um pouco mais sobre o papel do acadêmico
e seu crescente envolvimento com a
ação social, usando o campo da educação
em administração como um exemplo característico. Até
recentemente, o campo empresarial era desconhecido ou então
criticado pelo estabelecimento acadêmico.
Lá, a educação em administração
e a pesquisa eram na melhor das hipóteses encaradas com forte suspeita,
como se o contrato com o mundo da realidade - principalmente da realidade
monetária - fosse equivalente a
uma terrível forma de contaminação.
De fato, historicamente, o acadêmico assumiu uma das seguintes
duas posições em relação ao
"estabelecimento", a qualquer estabelecimento: a de um crítico
rebelde ou a de um esnobe retraído. A
posição do rebelde é atualmente popular. Testemunha
disso é a proliferação de títulos de livros
como The
Power Elite, The Lonely Crowd, Organization Man, The Hidden Persuaders,
Tyrany of Testing, Mass Leisure,
Exurbanites, Death and Life of Great American Cities, The American
Way of Death, Compulsory
Mis-Education, The Status Seekers, Growing Up Absurd, The Paper Economy,
Silent Spring, Child
Worshippers, The Affluent Society e Depleted Society.
A posição de retraído pode ainda ser observada
em algumas das universidades norte-americanas, porém em
menores proporções nos dias atuais. No entanto, ela continua
a ser a atitude predominante em muitas
universidades européias. Lá, as universidades parecem
ter a intenção de preservar o caráter monástico
de
suas origens medievais, oferecendo uma tranqüilizadora segurança
aos seus estudantes e livrando o currículo
de tudo o que ele possa ter de virilidade e aplicabilidade. A extravagante
e idílica fantasia de Max Beerbohm
(1966, p. 126) sobre Oxfor, Zuleika Dobson, dramatiza este ponto:
É o ar suave e com abundância de miasmas, não menos
do que a beleza cinza e pardacenta e a gravidade
dos edifícios, que ajudou Oxford a produzir e a cultivar, externamente,
sua raça peculiar de
artista-acadêmicos, acadêmico-artistas... Os Edifícios
e suas tradições mantêm vivos em sua mente tudo
quanto seja agradável e gracioso; o clima que o envolve e que
o debilita, embalando-o e aquietando-o,
conserva-o descuidado em relação às agudas e vorazes
exigências das realidades do mundo exterior. Estas
realidades podem ser vistas por ele.... Mas elas não podem atingi-lo.
Oxford é amortecida demais para isto.
"Adorável Sonhador" disse Matthew Arnold, em seu discurso de despedida a Oxford:
Adorável sonhador, cujo coração tem sido romântico!
Que tão prodigamente se tem entregado, entregado a si
próprio a adversários e a heróis não meus,
porém jamais aos Filisteus....qual o professor que jamais nos
poderia livrar daquela servidão e daquela dependência
para as quais todos nós estamos propensos e
predispostos.... a servidão e a dependência que nos ligam
e nos vinculam uns aos outros, o estreito, o
mundano, o meramente prático.
Apenas recentemente, o intelectual e o administrador saíram do
esconderijo e reconheceram as enormes
possibilidades de empreendimentos em conjunto. Lembrem-se de que é
nova a idéia da escola profissional,
mesmo no caso da "santíssima trindade" - direito, medicina e
engenharia -, isto para não dizer nada de
"algos" recentes como administração de empresas e administração
pública. É tão nova quanto a
institucionalização da própria ciência,
digamos por volta de 50 anos atrás. E mesmo hoje esta modificação
não é saudada com regozijo sincero e puro. Colin Clark,
o economista, escrevendo numa edição há pouco
publicada da revista Encounter, fazia referência à "horrível
sugestão de que Oxford deveria ter uma escola de
administração de empresas".
É provavelmente verdade que nos Estados Unidos temos tido uma
atitude mais pragmática em relação ao
conhecimento do que em qualquer outro lugar. Muitos observadores ficaram
impressionados com o desdenho
que os intelectuais europeus parecem mostrar por assuntos práticos.
Mesmo na Rússia, onde menos
poder-se-ia esperá-lo, há pouquíssimo interesse
pelo "apenasmente útil". Harrison Salisbury, do New York
Times, durante suas recentes viagens pela União Soviética,
teve sua atenção atraída pela quase total
ausência de ligação entre pesquisa e aplicação
prática. Ele viu apenas uma estação experimental agrícola
dentro dos padrões norte-americanos. Lá os professores
estavam trabalhando nos campos e disseram-lhe:
"As pessoas nos chamam de norte-americanos".
Pode não haver muitos professores norte-americanos trabalhando
nos campos, mas eles podem ser
encontrados, quando não à espera de avião em aeroportos,
em quase todos os outros lugares: nas fábricas,
no governo, nos países menos desenvolvidos e, mais recentemente,
nas áreas mais atrasadas do nosso
próprio país, nos hospitais para doentes mentais, no
Departamento de Estado, em, praticamente, todos os
tipos de organizações nas quais os candidatos a PhD podem
"meter a cara". Eles estão assessorando,
aconselhando, pesquisando, recrutando, interpretando, desenvolvendo,
dando consultoria, treinando e
trabalhando para a mais ampla variedade imaginável de clientes.
Isto não é para dizer-se que desapareceu a
profunda ambivalência que alguns norte-americanos conservam em
relação ao intelectual, mas indica que o
acadêmico - em número cada vez maior, com mais diligência
e com aspirações muito mais elevadas do que
em qualquer outra época da história -, se tornou muito
mais inclinado para a ação.
Com efeito, Fritz Machlup, o economista, inventou uma nova categoria
econômica, denominada "indústria do
conhecimento", a qual alega ele, é responsável por 29%
do produto nacional bruto. Clak Kerr (1964, p.86), o
ex-presidente da Universidade da Califórnia, disse, muito tempo
atrás:
o que as ferrovias fizeram pela segunda metade do século passado
e o que o automóvel fez pela primeira
metade deste século poderá ser feito na segunda metade
deste século pela indústria do conhecimento; isto é,
servir de ponto focal do crescimento nacional. E a universidade está
no centro do processo de conhecimento.
Problemas humanos com os quais as organizações contemporâneas se defrontam:
Problemas Soluções burocráticas Novas condições do séc. XX
Integração
Integração das necessidades individuais com as metas organizacionais
Nenhuma solução em virtude de não haver qualquer
problema. A personalidade individual é enormemente
ultrasimplificada e encarada como um instrumento passivo. É
inteiramente negligenciada a tensão entre
personalidade e função.
Aparecimento das ciências humanas e compreensão da complexidade
do ser humano. Aspirações
crescentes. Caráter humanístico-democrático.
Influência Social
Distribuição do poder e fontes de poder e autoridade
Uma confiança explícita no poder legal-racional, mas uma
utilização implícita de poder coercitivo. Em todo
o
caso, um confuso, ambíguo e mutável complexo de competência,
de coação e de código legal
Separação: a administração de um lado e
a propriedade de outro. Ascensão dos sindicatos e da educação
em geral. Efeitos negativos e involuntários de regra autoritária.
Colaboração
Criação de mecanismos para o controle de conflitos
A "regra de hierarquia" para solucionar conflitos entre as fileiras
e a "regra de coordenação" para solucionais
conflitos entre grupos horizontais. Lealdade.
Especialização, profissionalização e crescente
necessidade de interdependência. A liderança é por
demais
complexa para o poder de mando ou para a omnisciência de um só
homem.
Adaptação
Reação apropriada e conveniente às transformações induzidas pelo ambiente
Ambiente estável, simples, previsível e prognosticável;
rotina de tarefas. A adaptação às mutações
ocorre de
maneira fortuita e puramente acidental. São abundantes as conseqüências
imprevistas.
O ambiente exterior à empresa é mais turbulento e menos
previsível. Mudança tecnológica a uma taxa sem
precedentes.
Identidade
Obtenção de clareza, de consenso e de adesão às metas organizacionais.
As principais metas da organização são claras, simples e estáveis.
Crescente complexidade devida à multiplicidade, à aptidão
e à capacidade com múltiplas finalidades, à
mobilidade intersetorial. Cria complexidade, conflito e ambigüidade
nas funções.
Revitalização
Manipulação dos problemas de crescimento e declínio.
Hipótese subjacente de que o futuro será certo e ao menos basicamente semelhante ao passado.
Rápidas mudanças em tecnologias, mão-de-obra, matérias
primas, normas e valores da sociedade, metas
da empresa e da sociedade; todos estes são elementos que tornam
imperativa uma constante atenção ao
processo de revisão.