Mexican Institute of Group and Organizational Relations

PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE COORDENADORES DE DINÂMICA DE GRUPO / PROGRAMA DE FORMACION DE COORDINADORES DE DINAMICA DE GRUPO

 
AS CONDIÇÕES BÁSICAS QUE CRIAM A NECESSlDADE DO DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL

(Este texto me foi passado sem citar a fonte, se alguém soube-la favor informar:  mauro@conex.com.br)
 

As circunstâncias de um mercado em constante mutação e de um produto também em constante mutação
são capazes de esmagar qualquer organização empresariaI, se esta organização não estiver preparada
para a mudança - na verdade, em minha opinião, se ela não tiver providenciado os procedimentos para
antecipar a mudança.     Alfred P. Sloan
 

Nem os cientistas do comportamento e nem suas teorias, fizeram com que o desenvolvimento organizacional
se tornasse necessário. Eles, os cientistas e suas teorias, naturalmente ajudaram, mas não deve haver
dúvidas de que Alfred P. Sloan apontou a verdadeira causa: a mudança. Nossas instituições sociais não
podem opor-se ou deixar de tomar conhecimento do ritmo assolador de mudança sem alterações
fundamentais na maneira pela qual elas lidam com seus ambientes e na maneira como elas conduzem as
principais operações de sua empresa. O desenvolvimento organizacional não é algo que seja "bacana" e que
se tenha em volta de si, como um dispositivo novo e reluzente ou porque seu sistema de valores se
assemelha a nossa ética cristã-judaica. O desenvolvimento organizacional é necessário sempre que nossas
instituições sociais concorrem e lutam pela sobrevivência sob condições de mudança crônica.

A instituição social que coordena a atividade de quase todas as organizações humanas que conhecemos -
industriais, governamentais, educacionais, de pesquisas, militares, religiosas, voluntárias - é conhecida por
burocracia. No sentido em que a ela aqui me refiro, a burocracia é uma invenção social que foi aperfeiçoada
durante a Revolução Industrial, com o objetivo de organizar e de dirigir as atividades da empresa. Sob as
condições do século XIX, a burocracia foi uma resposta adequada, mas tenho a convicção, que é
compartilhada por muitos profissionais e estudantes do comportamento organizacional, de que esta forma de
organização não pode atender e enfrentar satisfatoriamente realidades do século XX. De fato, a menos que
seja considera e implantada uma revisão fundamental, as organizações encontrarão sérios empecilhos para
atingir suas metas, se de qualquer modo elas pretenderem sobreviver. O desenvolvimento organizacional é
uma maneira de agir que capacita a administração a passar a dispor de mais conscientização no que se
refere à renovação e à revitalização de modo que respostas novas e mais inovadoras possam ser
desenvolvidas pelas organizações que irão se defrontar com a extraordinária turbulência da próxima década.

O que segue é uma análise pormenorizada da burocracia e porque ela é particularmente vulnerável dentro das
condições contemporâneas. Depois disso virá uma identificação dos principais problemas humanos, com os
quais a liderança administrativa se defronta, e o papel do desenvolvimento organizacional na facilitação da
necessária evolução no sentido de novas formas de vida organizacional.

A burocracia é formada dos seguintes componentes:

     Uma bem definida cadeia de comando.
     Um sistema de regras e de procedimentos para lidar com todas contingências que se relacionem com
     as atividades de trabalho.
     Uma divisão do trabalho baseada na especialização.
     Promoção e seleção baseadas na competência técnica.
     Impersonalidade nas relações humanas.

É uma disposição em forma de pirâmide, que vemos na maioria dos organogramas.

O "modelo de máquina" burocrático foi desenvolvido como uma reação contra a subjugação pessoal, contra o
nepotismo, contra a crueldade e contra os julgamentos caprichosos e subjetivos que passaram a constituir
práticas administrativas durante os primórdios da Revolução Industrial. A burocracia surgiu como decorrência
da necessidade que as organizações sentiram de ordem e de exatidão e das exigências dos trabalhadores
por um tratamento imparcial. Era uma organização idealmente ajustada aos valores e exigências da Era
Vitoriana. E assim como a burocracia surgiu como uma resposta criativa a uma época radicalmente nova, da
mesma forma novos esquemas organizacionais devem hoje ser desenvolvidos.

Primeiramente, tentarei mostrar porque as condições de nosso moderno mundo industrializado levarão à
morte da burocracia. Na segunda parte deste capitulo, sugerirei um esboço de modelo da organização do
futuro.

Existem, ao menos, quatro ameaças relevantes à burocracia:

     Uma transformação rápida e inesperada.
     Um aumento de tamanho onde o volume das atividades tradicionais da organização não é suficiente
     para sustentar o crescimento. (Diversos fatores passam a prevalecer aqui: "overhead' burocrático,
     controles mais rigorosos e apertados e impersonalidade devidos a alastramentos burocráticos, regras e
     estruturas organizacionais superadas).
     A complexidade da tecnologia moderna, onde for exigível integração entre atividades e pessoas
     altamente especializadas e de competências muito diferentes.
     Uma ameaça basicamente psicológica surgindo de repente de uma mudança no comportamento
     administrativo.

Seria útil que se examinasse até que ponto estas condições existem no momento presente.

UMA TRANSFORMAÇÃO RÁPIDA E INESPERADA

O ponto forte da burocracia é sua capacidade de lidar eficientemente com tudo aquilo que seja rotineiro e
previsível nos assuntos que envolvam seres humanos. É quase suficiente citarem-se as explosões
demográficas de conhecimentos para se levantarem dúvidas sobre sua viabilidade contemporânea. No
entanto, muito mais esclarecedoras são as estatísticas que comprovam estas frases supercaprichadas e
superelaboradas:

     A produtividade homem-hora de nossa produção está agora duplicando por volta de cada 20 anos, ao
     invés de em cada 40 anos, como ocorria antes da II Guerra Mundial.

Somente o Governo Federal dos Estados Unidos gastou 16 bilhões de dólares em atividades de pesquisa e
desenvolvimento durante o ano de 1965; e gastará 35 bilhões por volta de 1980.