COMO MINIMIZAR A RESISTÊNCIA ÀS MUDANÇAS
Arnold Judson
Nenhum grande aperfeiçoamento será possível,
em toda a humanidade, até que se opere uma grande mudança
na
constituição fundamental no modo de pensar dos homens.
O novo não é o contrário do velho, mas o oposto das prisões que nos impomos.
CONCEITOS GERAIS
É necessário reconhecer-se, de início, que a resistência
a uma mudança não é o problema fundamental a ser resolvido.
Pelo
contrário, ela é geralmente um sintoma de problemas mais
básicos, subjacentes na particular situação. Focalizar
as atenções
apenas sobre o sintoma trará, quando muito, resultados limitados
na solução do problema. Da mesma forma, um comprimido
poderá aliviar temporariamente a dor de um dente infeccionado,
mas essa dor voltará cada vez com maior intensidade até que
o
dente seja tratado por um dentista. Assim, para encontrar uma solução
realmente eficiente, devemos olhar além do sintoma, que é
a resistência para suas causas básicas.
Quais seriam, em relação às mudanças, esses sintomas?
COMPULSÃO
Compulsão é um meio pelo qual um indivíduo pode tentar influenciar ou controlar o comportamento de uma outra pessoa.
Na maior parte das organizações que operam dentro de um
esquema cultural "ocidental", a compulsão através do uso
de
autoridade como método de instituir e implantar mudanças,
inevitavelmente aumentará a frustração dos que nela
estiverem
envolvidos. Isso ocorrerá por força das limitações
adicionais que lhe são impostas. Sua frustração também
aumentará como
consequência das maiores limitações da sua liberdade
de agir.
Finalmente, suas frustrações aumentarão em função do aumento de sua dependência.
O resultado inevitável dessa frustração intensificada
será a ocorrência de sentimentos mais intensos de agressividade
e
hostilidade. Em muitas instâncias o resultado final será
de maior resistência à mudança. Portanto, a compulsão
e o uso da
autoridade, no trato de uma mudança, servirá para aumentar
a oposição a ela.
PERSUASÃO
A essência da persuasão é convencer um indivíduo
de que terá muito a ganhar, conduzindo-se do modo que se deseja
que ele o
faça.
Tanto a extensão como a natureza de qualquer persuasão
usada em uma situação de mudança são variáveis
de primeira
importância na determinação do sucesso dessa mudança.
A efetividade da persuasão como meio de influenciar a conduta de
outros depende da medida em que as recompensas oferecidas sejam tanto
relativas às razoes da oposição como possa
contrabalançar e superar as mesmas.
SEGURANÇA
A medida em que as garantias de uma pessoa são ameaçadas
ou fortalecidas em uma situação de mudança é
uma outra variável
de grande influência sobre a oposição, sendo também
suscetível de ser controlada pela gerência.
Frequentemente, uma mudança representa uma certa ameaça à segurança daqueles que ela irá afetar. Daí resultam temores de
superfluidade, tanto para o empregado em questão como para outros
do seu grupo de trabalho. Esses temores devem ser
eliminados, para que se possa minimizar a oposição da
mudança.
COMPREENSÃO
Existe uma relação direta entre a medida em que os envolvidos
em uma situação de mudança entendam essa mudança,
e todas as
suas implicações e a resistência que lhes opõem.
Quando tantos quantos for possível, dentre os envolvidos, compreenderem
tanto
quanto for possível a respeito da mudança (e, em particular,
da maneira pela qual ela os afetará), sua oposição
provavelmente
diminuirá.
Quando, por outro lado, poucas informações forem tornadas
disponíveis, criar-se-á um vácuo pela falta de fatos.
Esse vácuo se
encherá de conjecturas e suposições e, nessas
circunstâncias, a oposição a uma mudança provavelmente
será grande.
TEMPO
A extensão de tempo entre o anúncio de uma mudança
iminente e o início da sua execução tende a variar
inversamente à
extensão da resistência, desde que as informações
a respeito dessas mudanças possam ser compartilhadas e discutidas
livremente. Isto é, quanto mais extenso for o período
de tempo, menor será a resistência oposta. Por outro lado,
o período de
tempo que se necessita para realizar a mudança tende a variar
em proporção direta à resistência: quanto mais
longo o período,
maior será a resistência.
ENVOLVIMENTO
É claro que quanto maior o envolvimento pessoal, na tomada de
decisões a respeito de uma mudança, tanto menor será
a oposição
a essa mudança.
CRÍTICAS
Quando uma pessoa sente-se criticada, torna-se ofendida e coloca-se
na defensiva. Seu ressentimento e sua irritação são
naturalmente dirigidos à fonte das críticas, quer seja
a própria crítica ou seu criador. Essa irritação
e ressentimento podem
facilmente traduzir-se em uma resistência contra a mudança.
Portanto, quanto maior for a sensação de estar sendo criticado, tanto maior será a resistência oferecida.
FLEXIBILIDADE
É evidente que a execução inexorável e rígida
de uma mudança, que não permite modificações
nos métodos da sua realização,
inevitavelmente provocará resistência. Por outro lado,
a razão dessa resistência desaparecerá quando os atingidos
pela mudança
acreditarem haver latitude suficiente, nos métodos usados, para
suas sugestões e contribuições, assim como para quaisquer
fatores
imprevistos a serem incorporados.
COMO MINIMIZAR A RESISTÊNCIA ÀS MUDANÇAS
Não é verdade, conforme afirmam muitos psicólogos
industriais, que a natureza humana oponha resistência às
mudanças. Pelo contrário, não existe qualquer
outro ser, no céu ou na terra, tão faminto de coisas novas.
Mas existem
condições para que o homem esteja psicologicamente preparado
para as mudanças. Estas devem lhe parecer racionais,
visto que o homem apresenta a si próprio, como sendo racionais,
até suas mais irracionais e errôneas mudanças. Ela
deve parecer a ele um aperfeiçoamento e não pode ser
tão rápida ou tão grande que chegue a eliminar os
marcos
psicológicos que o deixem à vontade: a compreensão
de seu trabalho, suas relações com seus companheiros de serviço,
seus conceitos de especialização, prestígio e
posição sociais em certos empregos e assim por diante.
Peter Drucker
MÉTODOS
PERSUASÃO, RECOMPENSAS E NEGOCIAÇÕES
As técnicas usadas para persuadir os empregados a aceitarem uma
mudança dependem da oferta de recompensas. Isso poderá
ser feito ou unilateralmente ou dentro do esquema de negociação.
O sucesso desse enfoque depende da eficiência com que a
administração:
Iguala as recompensas que oferece às
necessidades e objetivos dos empregados.
Considera com seriedade todas as reclamações
e sugestões.
Faz algumas concessões, a fim de conseguir
a maioria dos seus objetivos.
SEGURANÇA E GARANTIAS
As principais causas dos sentimentos de insegurança e de temores
de superfluidade poderão ser melhor minimizadas por uma
promessa da gerência de que não haverá qualquer
superfluidade, em consequência da mudança. Como uma alternativa
menos
desejável, a gerência poderá prometer manter os
ordenados daqueles que fossem considerados excedentes, até que conseguissem
arranjar um outro emprego. Para reduzir os sentimentos de insegurança
resultantes de temores de incapacidade pessoal, a
gerência pode oferecer programas de treinamento, organizados
de acordo com as necessidades dos empregados. A gerência
poderá enfrentar as outras razoes da existência de sentimentos
de insegurança desenvolvendo com compreensão a respeito do
que, provavelmente, será o resultado da mudança.
COMPREENSÃO E DISCUSSÃO
Durante uma situação de mudança, a operação
de muitos mecanismos e ligações normais de comunicação
ficam, muitas vezes,
interrompidos e prejudicados. Para compensar esse fato, a gerência
deve dar especial atenção e seus melhores esforços
para
comunicar uma compreensão completa de cada um dos aspectos da
mudança e das suas prováveis consequências. Deve ela
usar
todas as técnicas viáveis de comunicação.
A linguagem usada deve ter relação com o esquema de referência
daqueles a quem é
feita a comunicação. Dentre todas as técnicas
possíveis de comunicação, a gerência deveria
fazer o máximo uso de discussões
face a face, tanto com indivíduos como com grupos. Essa técnica
é a forma mais eficaz de assegurar que as perguntas que
realmente mais preocupam as pessoas envolvidas na mudança estão
sendo respondidas. Além disso, as discussões são o
meio
mais eficaz para melhor determinar o grau de verdadeira compreensão
que se está obtendo.
O TEMPO E O MOMENTO OPORTUNO PARA AGIR
A administração de uma organização deve
marcar uma mudança com base em vários fatores cuidadosamente
considerados.
Assim fazendo, ela deverá comparar os custos dos cursos das
várias ações alternativas. Na maior parte dos casos,
descobrirá que
o custo de devotar mais tempo a preparar seus empregados para a mudança
será menor do que o custo de uma oposição maior e
benefícios menores. A administração deverá
também marcar a data da mudança de modo que esteja coordenada
a outros
acontecimentos de importância que ocorram tanto dentro como fora
da empresa.
ENVOLVIMENTO E PARTICIPAÇÃO
A participação é uma das técnicas administrativas
mais potencialmente eficazes para transformar em apoio ativo quaisquer
resistências possíveis contra uma mudança. No entanto,
é uma técnica que deve ser usada com muito cuidado, e somente
na
presença de certas condições prévias necessárias
ao bom resultado da participação.
CRÍTICAS, CERIMÔNIA E DEPENDÊNCIA DO PASSADO
Um gerente pode ver-se tentado a se impacientar com práticas
e tradições passadas e a encarar com algum cinismo o uso
da
cerimônia. Porém, ao rejeitá-las, está deixando
de servir-se de métodos muito úteis para reduzir a resistência
oposta a uma
mudança.
FLEXIBILIDADE E A ABORDAGEM-TENTATIVA
Introduzir uma mudança primeiramente em forma de tentativa ou
experiência tende a reduzir a ameaça que ela representa para
aqueles que são por ela afetados. E, como consequência,
a resistência dessas pessoas contra a mudança, em sua forma
final, será
bem abrandada.
RAZOES POSSÍVEIS PARA RESISTIR ÀS MUDANÇAS
Perdas econômicas temidas
Pede-se que trabalhe mais, pelo mesmo ordenado.
Essa mudança resultará em uma
aceleração do serviço. Meu ordenado será reduzido.
Exigirão de mim um número menor
de especializações. No final das contas sairei ganhando menos.
Perderei grande parte das horas extras que
estava fazendo.
Minhas oportunidades de promoção
serão reduzidas.
Temores quanto a segurança pessoal
A nova situação exige que eu
aprenda uma nova tecnologia ou novas especializações. Duvido
que seja capaz de fazê-lo.
Duvido que eu seja capaz de satisfazer os
novos padrões de trabalho que serão exigidos.
Serei responsável por defeitos de qualidade
ou controle de qualidade sobre os quais não poderei ter influência.
A nova situação envolverá
um aumento dos riscos de segurança, para mim.
Esta mudança tornará alguns
empregados supérfluos. Não quero perder meu emprego.
Estarei mais vulnerável à possibilidade
de me tornar dispensável, no caso de futuras reduções
nas atividades da empresa.
Duvido da minha capacidade de dar conta de
maiores responsabilidades.
Temores quanto a uma inconveniência pessoal maior
As novas condições de trabalho
serão menos agradáveis (físicas, ambientais, localização,
movimentação, horas).
O trabalho será mais difícil.
Terei de trabalhar mais.
Essa mudança irá interferir
em minha vida particular (horários diferentes, mais viagens etc.).
Terei de mudar meus hábitos de muitos
anos. O que há de errado em continuar a trabalhar da mesma forma
que estou
trabalhando agora?
Temores quanto a menores satisfações no trabalho
Este novo trabalho será menos interessante.
Há uma motivação menor
nesse novo serviço.
As pressões sobre mim serão
maiores (ou diferentes).
Terei menores (ou maiores) responsabilidades.
Minha autoridade está sendo reduzida.
Estarei recebendo muito mais (ou menos) supervisão.
Esse novo trabalho, na verdade, não
exige minhas habilidades e treinamento.
Essa nova situação será
muito restritiva. Terei menos oportunidades de contribuir com minhas idéias
e sugestões.
Essa mudança não se enquadra,
absolutamente, nos meus planos a longo prazo para a minha carreira.
Temores sociais
Serei rebaixado de posição.
Se eu cooperar com esta mudança os
outros pensarão mal de mim. Minhas relações futuras
serão afetadas adversamente.
Terei menor contato com o que se passa na
empresa (ou departamento).
Não gosto de trabalhar sozinho. Sinto
maior satisfação em trabalhar em equipe.
Preocupa-me ter Y como supervisor. Sua reputação
não é boa. Duvido que nos demos bem.
Essa mudança atrapalhará minhas
relações com meus clientes (ou fornecedores, ou outras pessoas
fora da empresa).
Estarei estabelecendo precedentes ao cooperar
com essa mudança. Estarei comprometendo outras pessoas a seguirem
meu exemplo.
O sindicato não verá com bons
olhos meu envolvimento com essa mudança. Estarei afetando suas relações
com a
empresa.
Terei de deixar meus antigos companheiros
de trabalho. Gosto do lugar onde estou trabalhando. Não desejo ter
de fazer
novos amigos.
Não quero ser a causa de outros serem
considerados desnecessários para as novas funções.
Irritações contra a maneira de fazer a mudança
Sinto-me infeliz por ter sido selecionado.
Devem ter algo contra mim.
Ninguém pediu minha opinião.
Bem que eu tinha algumas coisas para dizer.
Se continuarmos com isto, não será
possível voltar atrás. Não gosto dessa idéia
de impossibilitar um recuo.
Estão fazendo isso depressa demais.
Gostaria que me dessem uma oportunidade de pensar um pouco sobre o problema.
Na realidade essa mudança é
desnecessária. Não vejo razão para mudar.
Má compreensão das razoes da mudança; atribuir-lhe motivos errôneos.
Não gosto de engolir nada à força.
Essa idéia não é melhor
do que aquilo que estamos fazendo agora. Que espécie de especialista
é ele? Como pode saber
mais do que eu, se nem trabalha aqui?
É muita coragem da parte dele concluir
que temos vivido na moleza até agora. Temos trabalhado bastante
e feito um bom
trabalho.
Essa mudança chega como um grande choque.
Veio de modo tão súbito e inesperado.
Crenças Culturais
Essa mudança vai contra aquilo que sei
estar certo. Tal mudança é inconcebível. Não
dará certo nunca.
Essa mudança está em desacordo
com aquilo em que acredito.
Por que devo cooperar com a gerência?
O meu lucro será sempre o menor.