POR QUE FORMAMOS GRUPOS?
Edgar Schein
Num estudo sobre a interação social de prisioneiros de
guerra, Edgar Schein, (Psychiatry, maio 1956)
analisou o comportamento dos prisioneiros americanos na Guerra da Coréia
e na II Grande Guerra. Nos
campos nazistas, havia grandes disparidades nas condições
de vida existentes entre os prisioneiros de
guerra e seus guardas. Os nazistas tratavam os prisioneiros conforme
a estrutura militar aliada e permitiam
que os oficiais presos supervisionassem os demais prisioneiros. Neste
arranjo, descobriu-se que havia pouca
colaboração com os nazistas e que ocorriam muitas tentativas
de fuga.
Nos campos de prisioneiros, na Coréia, os captores partilhavam
da mesma alimentação e dos mesmos
remédios e viviam em alojamentos ou tendas semelhantes às
dos prisioneiros. Os oficiais presos estavam
fisicamente separados dos demais prisioneiros. Em alguns casos, os
leigos ficavam responsáveis pelos
sargentos. Os grupos de prisioneiros de guerra eram mudados continuamente
de um alojamento para outro.
Nestas condições, havia frustração e moral
baixo, e ocorriam poucas tentativas de fuga.
Este estudo mostra que a estrutura ou estabilidade (permanência)
são fatores decisivos na formação do
grupo. Sem estrutura ou estabilidade os membros do grupo podem experimentar
sentimentos de
desorganização ou frustração. Se estas
consequências ocorrerem, o grupo como um todo torna-se menos
importante para a satisfação das necessidades sociais.
Duas facetas importantes da interação pessoal são
a proximidade e atração. Por proximidade queremos
dizer a distância física entre os empregados que executam
uma tarefa, por exemplo. O termo atração designa
a atração das pessoas umas pelas outras em razão
das semelhanças de percepção, atitudes, desempenho
ou motivação.
Aceitando as atividades grupais, o membro do grupo estará satisfazendo
suas necessidades sociais, de
segurança, de estima e de auto-realização. Assim,
embora a pessoa seja atraída pelo grupo por causa das
atividades do mesmo, há também um subproduto importante
dessa filiação grupal que é a satisfação
de
várias necessidades.
As metas do grupo, quando claramente entendidas, podem ser a razão
pela qual os indivíduos são atraídos
pelo grupo. Nem sempre, no entanto, é possível identificar
as metas do grupo. A hipótese de que os grupos
organizacionais formais têm metas claras deve ser temperada pela
compreensão de que a percepção, as
atitudes, a personalidade e a aprendizagem podem distorcer as metas.
O mesmo pode dizer-se das metas
dos grupos informais.