OS GRUPOS DENTRO DAS ORGANIZAÇÕES
(Este texto me foi entregue sem a referência bibliográfica.
Se alguém o conhecer, por favor informem o autor e
a obra que faço a devida correção.)
Introdução
Nos últimos 30 anos o estudo do comportamento dos grupos vem
aparecendo como uma parte cada vez mais
importante do comportamento organizacional e da literatura administrativa.
Há várias razões de senso-comum
que mostram por que o estudo e o interesse pelos grupos vai continuar.
Uma das razões mais fortes é a de
que a maior parte do dia de trabalho das pessoas é gasta dentro
de grupos. Como já é fato consumado que a
filiação a um grupo é parte da vida de trabalho
da maioria dos empregados, é preciso que o gerente
compreenda a formação, o desenvolvimento e as características
dos grupos. Eis algumas das razões mais
evidentes que mostram por que a compreensão dos pequenos grupos
é importante para os administradores:
O administrador lidera grupos de subordinados.
A participação no grupo influencia
a conduta e o desempenho de seus membros.
Os grupos que entram em conflito podem restringir
a realização das metas organizacionais.
A influência que o grupo exerce sobre
a pessoa é diferente para cada indivíduo. Algumas pessoas
podem ser totalmente influenciadas pelo grupo,
outras sofrem influência mínima ou não sofrem influência
alguma.
Cada uma destas razões para estudar e compreender os grupos está
relacionada à eficácia. Por exemplo, os
grupos que entram em conflito podem impedir o desempenho eficaz. Os
administradores que ignoram a
formação, o desenvolvimento e as características
dos vários grupos existentes dentro de uma organização
estão tornando seu trabalho muito mais difícil.
Não existe nenhuma definição de grupo aceita por
todos. Em vez de apresentarmos uma definição imediata,
pareceu-nos mais adequado apresentar um conjunto de definições
e depois fazer uma síntese de todas elas,
síntese esta que nos possibilite uma definição
abrangente do grupo. Certamente, há muitos pontos em
comum nestas definições, e é evidente que seus
autores estavam considerando os diversos aspectos dos
grupos.
O grupo olhado pelo ângulo da percepção
Uma das definições baseia-se na percepção
dos membros do grupo. Afirma-se que os membros devem
perceber suas relações mútuas para que possam
considerar-se um grupo. Um exemplo desse tipo de
definição é o seguinte: "Define-se pequeno grupo
como sendo qualquer número de pessoas interagindo
face a face numa reunião ou numa série de reuniões,
onde cada membro recebe alguma impressão do
outro, de modo que possa reagir, no momento ou mais tarde, à
outra pessoa mesmo que esta reação seja
apenas a percepção de que a outra pessoa esteve presente".
Esta definição assinala que os membros do grupo devem
perceber a existência de cada membro e a
existência do próprio grupo.
O grupo visto pelo ângulo da organização
Os sociólogos consideram o grupo, primariamente, em termos de
características organizacionais. Uma
destas definições é a seguinte: "...grupo é
um sistema organizado de dois ou mais indivíduos
inter-relacionados, de modo que o sistema cumpra alguma função
e que haja um conjunto de relações de
papéis-padrão entre os membros e um conjunto de normas
que regule a sua função e a função de cada
um
dos membros".
Esta definição enfatiza algumas das características
importantes dos grupos, como papéis e normas, que
serão discutidas mais tarde, neste capítulo.
O grupo visto pelo ângulo da motivação
Um grupo que fracassa ao tentar ajudar seus membros a satisfazer suas
necessidades terá dificuldade em
continuar como grupo. Os empregados que não conseguirem satisfazer
suas necessidades num grupo
particular passarão a procurar outros grupos que os ajudem a
satisfazer as necessidades em questão. Essa
interpretação motivacional define o grupo como:
"...um conjunto de pessoas cuja existência como conjunto é compensadora para elas".
Como ficou indicado no último capítulo, é difícil
determinar com precisão quais facetas da organização
do
trabalho são compensadoras para o indivíduo. Os problemas
da identificação e verificação de uma hierarquia
de necessidades mostram os inconvenientes de se definir um grupo em
termos de motivação.
O grupo visto pelo ângulo da interação
Alguns teóricos supõem que a interação,
no sentido de interdependência, é o "núcleo mesmo"
daquilo que
constitui um grupo.
Uma das definições que acentua este aspecto de interdependência
é a seguinte: "Entendemos por grupo
certo número de pessoas que se comunicam entre si, com frequência,
durante certo tempo e que estejam
em número suficientemente pequeno, de modo que cada pessoa possa
comunicar-se com todas as outras,
não de maneira indireta, mas diretamente, face a face".
Em nossa opinião, cada uma destas definições é
correta, pois apontam características importantes dos
grupos. Supomos também que, se existe um grupo numa organização,
seus membros;
estão motivados para nele ingressar;
percebem o grupo como uma unidade integrada
de pessoas que interagem entre si;
contribuem de vários modos para os
processos grupais (isto é, algumas pessoas contribuem com mais
tempo e energia que outras, para o grupo);
concordam e discordam mediante várias
formas de interação.
Portanto, para nossos fins, neste livro, o grupo é definido como:
"Dois ou mais empregados que interagem
entre si, de tal maneira que o comportamento e o desempenho de um deles
é influenciado pelo
comportamento e pelo desempenho do outro".
TIPOS DE GRUPO
Qualquer organização tem exigências técnicas
que nascem de suas metas. A realização dessas metas
requer a execução de certas tarefas e a presença
de pessoas que as executem. Como resultado disso, a
maioria dos empregados participará de determinado grupo, por
causa do cargo que ocupa dentro da
organização. Chamaremos a estes grupos de grupos formais.
Por outro lado, sempre que as pessoas se
reúnem de maneira mais ou menos contínua surge uma tendência
de se formarem grupos cujas atividades
podem ser diferentes das atividades da organização. Estes
grupos serão chamadas de grupos informais.
Embora tal distinção seja conveniente para o estudo dos
grupos organizacionais, ambos os tipos apresentam
as mesmas características gerais.
Grupos formais
As exigências e processos da organização levam à
formação de diferentes tipos de grupo. Existem dois tipos
de grupo formal.
O grupo de comando. Este grupo é especificado pelo organograma
da empresa. O grupo compõe-se de
subordinados que dependem diretamente de um supervisor. A relação
de autoridade entre o gerente do
departamento e os chefes de departamento ou entre uma enfermeira sênior
e suas subordinadas é um
exemplo de grupo de comando.
O grupo de tarefa. O grupo de tarefa compõe-se de empregados,
que trabalham juntos para completar um
projeto ou uma tarefa particular. Por exemplo, as atividades dos escriturários
de uma companhia de seguros
para resolver o caso de um acidentado são tarefas prescritas.
Estas atividades provocam um trabalho de
coordenação e de comunicação entre os escriturários,
se se quer que o assunto seja tratado de maneira
adequada. Estas tarefas e interações prescritas facilitam
a formação de um grupo de tarefa. As enfermeiras
destinadas à sala de emergência de um hospital constituem
geralmente um grupo de tarefa, uma vez que se
exigem delas certas atividades quando se trata de um paciente.
Grupos informais
Os grupos informais são grupamentos naturais de pessoas surgidos
naturalmente nas situações de trabalho,
em resposta a necessidades sociais. Em outras palavras, não
surgem como resultado de um desígnio
deliberado, mas crescem naturalmente. Identificamos dois grupos informais
específicos.
Os grupos de interesse. Indivíduos que podem ou não ser
membros de um mesmo grupo de comando ou
grupo de tarefa podem juntar-se para um objetivo comum. Os empregados
que se juntam, numa frente
unificada, que se contrapõe à administração,
pedindo melhores salários, e as garçonetes, que fazem
"caixinhas em comum", são exemplos de grupos de interesse. Observe-se,
além disso, que os objetivos de
tais grupos não estão relacionados aos da organização,
mas são específicos de cada grupo.
Grupos de amizade. Muitos grupos se formam porque seus membros têm
alguma coisa em comum, como
idade, crenças políticas ou traços étnicos.
Estes grupos de amizade frequentemente estendem suas
atividades e sua comunicação para fora do trabalho.
Se documentássemos os padrões de afiliação
dos empregados, tornar-se-ia patente que eles pertencem a
numerosos grupos que, muitas vezes, se sobrepõem uns aos outros.
Fizemos uma distinção ampla entre dois
grandes grupos: os grupos formais e os grupos informais. A principal
diferença entre eles é que os grupos
formais (de comando e de tarefas) são estabelecidos pela organização
formal e são meios para
determinados fins, ao passo que os grupos informais (de interesse e
de amizade) são importantes em si
mesmos (isto é, satisfazem às necessidades básicas
de associação).
POR QUE FORMAMOS GRUPOS
Os grupos formais e informais formam-se por várias razões.
Algumas dessas razões seriam as
necessidades, o desejo de proximidade, a atuação e as
metas.
A satisfação das necessidades
Certos indivíduos buscam satisfação como membros
de um grupo. Formam grupo ou entram em grupo já
formado, para interagir com outras pessoas que têm valores, interesses,
percepções e atitudes comuns. Esta
participação resulta num sentimento de "segurança"
para os membros. Os indivíduos diante de uma ordem ou
exigência do superior procuram aceitá-las e cumpri-las
o mais das vezes. Temem resistir às exigências
superiores, pois têm medo de alguma forma de castigo. Se fossem
apoiados por colegas de valor, poderiam
sentir-se seguros e resistir à administração.
Embora muitos empregados passem a participar de determinado grupo porque
este é percebido como um
veículo que os ajuda a suprir as deficiências de segurança,
há também outras necessidades que os grupo
pode satisfazer. Alguns indivíduos, ao se tornarem membros de
um grupo, satisfazem as necessidades de
interação social. A filiação a estes grupos
possibilita a interação entre as pessoas.
Num estudo sobre a interação social de prisioneiros de
guerra (PDG), Schein analisou o comportamento dos
prisioneiros americanos, na Guerra da Coréia e na Segunda Grande
Guerra. Nos campos nazistas, havia
grandes disparidades nas condições de vida existentes
entre os prisioneiros de guerra e seus guardas. Os
nazistas tratavam os prisioneiros conforme a estrutura militar aliada
e permitiam que os oficiais presos
supervisionassem os demais prisioneiros. Neste arranjo, descobriu-se
que havia pouca colaboração com os
nazistas e que ocorriam muitas tentativas de fuga.
As condições dos campos de prisioneiros na Coréia
eram muito diferentes das condições existentes na
Segunda Grande Guerra. Os captores chineses partilhavam da mesma alimentação
e dos mesmos remédios
e viviam em alojamentos ou tendas semelhantes às dos prisioneiros.
Os oficiais presos estavam fisicamente
separados dos demais prisioneiros. Em alguns casos, os leigos ficavam
responsáveis pelos sargentos. Os
grupos de prisioneiros de guerra eram mudados continuamente de um alojamento
para outro. Nestas
condições, havia frustração e moral baixo,
e ocorriam poucas tentativas de fuga.
O estudo sobre os prisioneiros de guerra fornece orientação
importante. Indica que a estrutura e a
estabilidade grupal são fatores decisivos na formação
do grupo. Sem estrutura ou estabilidade (permanência)
os membros do grupo podem experimentar sentimentos de desorganização
ou frustração. Se estas
consequências ocorrerem, o grupo como um todo torna-se menos
importante para a satisfação das
necessidades sociais.
Em alguns casos, a pessoa entra no grupo para satisfazer necessidades
de estima. Ela poderá julgar que
determinado grupo de engenharia tenha poder, prestígio e contato
com os executivos de algo nível. Decide,
então, tornar-se membro deste grupo. Através de trabalho
duro, de um ótimo desempenho e de outras
contribuições deste tipo para a organização,
a pessoa consegue entrar no grupo. A consecução da meta faz
dela um membro do grupo de engenharia e ela poderá satisfazer
assim suas necessidades de estima.
Embora este exemplo esteja focalizando um grupo formal, podemos seguir
o mesmo padrão de meio-fins (a
entrada no grupo leva à satisfação de necessidades)
para ingressarmos num grupo altamente informal.
Proximidade e atração
A ação interpessoal pode resultar na formação
de um grupo. Duas facetas importantes da interação pessoal
são a proximidade e a atração. Por proximidade
queremos dizer a distância física entre os empregados que
executam uma tarefa. O termo atração designa a atração
das pessoas uma pelas outras em razão das
semelhanças de percepção, atitudes, desempenho
ou motivação.
As pessoas que trabalham muito próximas têm numerosas oportunidades
de trocarem idéias, pensamentos e
atitudes sobre várias atividades dentro e fora do emprego. Estas
trocas resultam frequentemente em algum
tipo de formação grupal. A proximidade faz que os indivíduos
conheçam as características uns dos outros.
Frequentemente, surge um grupo para manter a interação
e o interesse.
Atividades grupais
Os empregados podem ser atraídos pelo grupo porque gostam das
atividades do grupo. Esse grupo pode
estar interessado em atividades profissionais ou de recreação,
atividades estas que os outros apreciam.
Aceitando as atividades grupais, o membro do grupo estará satisfazendo
suas necessidades sociais, de
segurança, de estima e de auto-realização. Assim,
embora a pessoa seja atraído pelo grupo por causa das
atividades do mesmo, há também um subproduto importante
dessa filiação grupal que é a satisfação
de
várias necessidades.
As metas do grupo
As metas do grupo, quando claramente entendidas, podem ser a razão
pela qual os indivíduos são atraídos
pelo grupo. Por exemplo, uma pessoa pode entrar num grupo que se reúne
depois do trabalho para se
familiarizar com o sistema métrico. Suponha que este sistema
deva ser implantado na organização, dentro
dos próximos dois anos. A pessoa que entra num grupo que se
reúne após o trabalho acredita que a
aprendizagem do novo sistema é uma meta importante e necessária
para os empregados.
Nem sempre é possível identificar as metas do grupo. A
hipótese de que os grupos organizacionais formais
têm metas claras deve ser temperada pela compreensão de
que a percepção, as atitudes, a personalidade e
a aprendizagem podem distorcer as metas. O mesmo pode dizer-se das
metas dos grupos informais.
Estas são apenas algumas das numerosas razões pelas quais
as pessoas entram nos grupos. Parece que
elas ingressam nos grupos porque estes são percebidos como meios
para a satisfação das necessidades. É
também evidente que as atividades e metas do grupo são
fatores que atraem os seus membros. Outra faceta
importante da formação grupal diz respeito à proximidade
das pessoas umas com as outras, que é a razão
da interação e da descoberta de características
semelhantes.
DESENVOLVIMENTO GRUPAL
Os grupos desenvolvem-se, por longo tempo, e, provavelmente, nunca atingem
um estágio em que não
estejam desenvolvendo-se. O comportamento e o desempenho dos grupos
são influenciados por seu estágio
de desenvolvimento. Infelizmente, os administradores não são
capazes de apontar com exatidão o estágio de
desenvolvimento do grupo e agir imediatamente para corrigir os problemas
comportamentais e de
desempenho. Os grupos se desenvolvem de maneira única ou semelhante?
Apresentamos abaixo, para
diferentes tipos de grupo, dois dos muito modelos diferentes de desenvolvimento
grupal. Parece que, embora
os grupos sejam diferentes, há algumas semelhanças significativas
nas explicações de desenvolvimento
grupal fornecidas pelos modelos.
Desenvolvimento de um grupo de solução de problemas
Um grupo de solução de problema pode estar interessado
em programar a manutenção do equipamento, em
recrutar e selecionar um novo vice-presidente ou em decidir se se deve
desenvolver ou não uma nova linha de
produtos. A solução de problema é uma tarefa na
qual estão envolvidos continuamente todos os grupos
formais e alguns dos grupos informais. Um dos modelos de desenvolvimento
grupal presume que os grupos
de solução de problemas procedem por meio de quatro estágios
de desenvolvimento: (1) aceitação mútua;
(2) comunicação e tomada de decisão; (3) motivação
e produtividade; e (4) controle e organização.
Aceitação mútua. Nos primeiros estágios
da formação do grupo, os membros têm certa relutância
em
comunicar-se entre si. Embora o grupo de solução de problema
tenha uma tarefa a cumprir, seus membros
normalmente não gostam de expressar opiniões, atitudes
ou crenças. Essa situação assemelha-se à de
um
membro de uma faculdade, no início de novo semestre. Suponha-se
que o objetivo da classe seja desenvolver
e oferecer ao governo da cidade um plano de controle de tráfico.
As respostas da classe às perguntas do
instrutor são desapontadoras e, em muitos casos, inexistentes.
Comunicação e tomada de decisão. Depois que o grupo
de solução de problema atinge o ponto da mútua
aceitação, os membros passam a comunicar-se entre si,
abertamente. Essa comunicação gera maior
confiança e maior interação dentro do grupo. As
discussões passam a tratar mais especificamente das
tarefas de solução de problema e do desenvolvimento de
estratégias alternativas para realizá-las.
Motivação e produtividade. Este é o estágio
de desenvolvimento em que se gasta esforço para atingir as
metas do grupo. Num grupo de solução de problema, a tarefa
é produzir a melhor solução. O grupo passa a
trabalhar como uma unidade cooperativa e não como uma unidade
competitiva.
Controle e organização. Este é o estágio
em que a filiação ao grupo é valorizada e os membros
passa a ser
regulados por normas. As metas do grupo têm precedência
sobre as metas do indivíduo e cumprem-se as
normas ou aplicam-se sanções. O último tipo de
sanção é o ostracismo pelo não-cumprimento
das metas ou
normas do grupo. Outras formas de controle são o isolamento
temporário ou o afastamento.
Desenvolvimento de um grupo de treinamento
Um grupo bem diferente do grupo de solução de problema
é aquele que se preocupa com o treinamento
organizacional formal. Enquanto os grupos de solução
de problema têm a meta específica de chegar à melhor
solução para o problema em estudo, os grupos de treinamento
formal têm metas vagamente definidas, em
alguns casos. Os responsáveis pelo treinamento podem ter uma
visão clara das metas a serem atingidas,
mas os membros do grupo, frequentemente, estão incertos sobre
elas.
Tuckman propôs uma sequência de desenvolvimento grupal que
foi aplicada primariamente aos grupos de
treinamento de sensibilidade. É pressuposição
de Tuckman que qualquer grupo, independentemente do tipo
ou do ambiente, se entregará à execução
de uma tarefa. Ao tentar executar essa tarefa, os membros do
grupo se relacionarão entre si e funcionarão como uma
unidade total. O padrão total das relações
interpessoais é conhecido como estrutura grupal. A interação
relacionada diretamente à tarefa é conhecida
como atividade de tarefa. Tuckman especifica a seguinte sequência
para o desenvolvimento de uma estrutura
grupal.
Teste e dependência. Trata-se de uma
tentativa feita pelos membros do grupo para descobrir os
comportamentos interpessoais aceitáveis
para o grupo. O membro depende do grupo ou de uma
pessoa como guia.
Conflito intragrupal. Os membros são
hostis entre si e há falta de esforço grupal unificado.
Desenvolvimento da Coesão Grupal. Os
membros aceitam o grupo e as particularidades dos colegas.
A harmonia tem a maior importância.
Relação funcional voltada para
os papéis. Os membros passam a adotar papéis que facilitarão
a
realização das tarefas do grupo.
Há também quatro fases para o desenvolvimento da atividade de tarefa. São elas:
Orientação para a tarefa. Os
membros tentam identificar as tarefas e determinar o que é preciso
para
realizá-las.
Resposta emocional às exigências
da tarefa. Os membros do grupo reagem emocionalmente à tarefa,
como forma de resistência às
exigências da tarefa sobre eles.
Troca livre de interpretações
importantes. Este processo assume a forma de troca de opiniões,
crenças e atitudes.
Surgimento de soluções. A ênfase
cai nas atividades construtivas e nas interações que completam
as
tarefas.
Embora este conceito de desenvolvimento grupal seja aplicável,
antes de tudo, aos grupos de treinamento de
sensibilidade, e o modelo anterior focalizasse os grupos voltados para
a solução de problema, há
semelhanças entre eles. Nos dois tipos de grupo, os membros
tentam, inicialmente, orientar-se entre si. A
ênfase dos primeiros estágios de desenvolvimento cai sobre
a compreensão interpessoal. À medida que os
membros dos dois tipos de grupo se tornam mais confiantes, o interesse
passa a concentrar-se na realização
das tarefas. Assim, ainda que os objetivos dos grupos de treinamento
e de solução de problema sejam
diferentes, o desenvolvimento que ocorre dentro deles é muito
semelhante. O estágio de desenvolvimento é
um fator importante que deve ser considerado pelo administrador. Por
exemplo, esperar que um grupo
recém-formado, composto de contadores, engenheiros e mecânicos,
se volte imediatamente para a tarefa é
irrealismo. Qualquer grupo recém-formado está no estágio
inicial de reconhecimento mútuo dos membros e
não em estágio de gerar soluções.
CARACTERÍSTICAS DOS GRUPOS
Para se compreender mais plenamente o comportamento grupal, é
preciso levar em conta as várias
características do grupo. Algumas das características
importantes dos grupos são discutidas abaixo.
Estrutura grupal
Dentro de qualquer grupo, surge com o tempo certo tipo de estrutura.
Os membros do grupo diferenciam-se
com base em fatores tais como habilidade, agressividade, poder e status.
Cada membro ocupa uma posição
no grupo. O padrão de relacionamento entre estas posições
ou cargos constitui o que chamamos de estrutura
grupal.
Os membros do grupo avaliam cada posição em termos de
seu prestígio, status e importância para o grupo.
Na maioria dos casos, há algum tipo de diferença de status
entre os cargos, de modo que a estrutura grupal é
hierárquica. Os membros esperam que o ocupante de cada cargo
tenha certas atitudes durante a interação
grupal. O conjunto de atitudes esperadas, ligadas ao cargo dentro da
estrutura, constitui o que chamamos de
papel do ocupante do cargo.
Na figura anterior, apresentamos a estrutura grupal de um grupo formal
de tarefas e de um grupo de interesse
informal. No grupo de tarefa, Rich Anderson tem o status mais elevado
e a maior autonomia. No grupo de
interesse, Rich tem pouco prestígio, porque sua média
no jogo de boliche é baixa, quando comparada às dos
outros membros do grupo.
Na organização formal, o status de Rich é explicitamente
reconhecido enquanto no grupo informal não há
declaração de uma hierarquia, mas cada membro do grupo
do jogo de boliche tem consciência de que Rich é
o jogador mais fraco.
Status
Status e cargo são tão semelhantes que estes termos são
usados um pelo outro. O status ligado a um cargo
particular é normalmente uma conseqüência de certas
características que diferenciam um cargo de outro. Na
figura anterior, Rich, Eugene e Tony estavam todos em cargos de venda,
mas Rich tinha mais status. Através
de alguma realização, talvez por causa de maiores vendas,
ele atingiu o status mais elevado da escala. Em
alguns casos, a pessoa recebe determinado cargo por causa do tempo
de serviço, da idade ou de uma
designação qualquer. O trabalhador mais antigo pode ser
reconhecido como sendo o mais eficiente do ponto
de vista técnico e assim receber o cargo de um grupo de técnicos.
As diferenças de status exercem grande influência no padrão
e no conteúdo das comunicações do grupo. Por
exemplo, há certa tendência em se dirigir a maior parte
das comunicações e seus conteúdos aos grupos de
status mais elevados; o conteúdo de tais mensagens tende a ser
mais positivo do que o das mensagens que
se iniciam da pessoa de status mais alto para a de mais baixo.
Papéis
Cada cargo, na estrutura grupal, tem, ligado a si, um papel que não
é outra coisa senão o comportamento que
se espera do ocupante do cargo. Espera-se do diretor de serviços
de enfermagem de um hospital que dê
assistência e controle seu departamento. Espera-se dele, também,
que siga de perto a preparação e a
aplicação do orçamento departamental. Por outro
lado, espera-se do supervisor de enfermagem que
supervisione as atividades do pessoal voltado para estes serviços
específicos, como obstetras , pediatras e
cirurgiões. Estes comportamentos esperados são geralmente
aceitos não só pelos ocupantes dos
respectivos cargos, como diretor e supervisor de enfermagem, mas também
pelo pessoal da enfermagem e
pelos demais funcionários hospitalares.
O papel esperado é apenas um tipo de papel. Há também
o papel percebido e o papel realizado. O papel
percebido é o conjunto de atitudes e comportamentos que a pessoa
que ocupa determinado cargo acredita
dever realizar. Em alguns casos, o papel percebido pode corresponder
ao papel esperado. O papel realizado
é o comportamento que a pessoa realmente leva a cabo. Portanto,
pode haver três tipos possíveis de
comportamento ligado aos papéis. E há possibilidade de
conflito e frustração, resultantes das diferenças
nestes três tipos de papéis. Em grupos bastante estáveis
ou permanentes, normalmente há boa concordância
entre os papéis esperado e percebido. Quando o papel realizado
se desvia muito do esperado, a pessoa
pode ou aproximar-se do papel esperado ou deixar o grupo.
Os indivíduos, por pertencerem a grupos diferentes, desempenham
múltiplos papéis. Estes múltiplos papéis
geram numerosos comportamentos de papel esperado. Em muitos casos,
os comportamentos especificados
pelos diferentes papéis são compatíveis. Mas,
em alguns casos, a pessoa poderá ter que desempenhar dois
ou mais papéis simultaneamente incompatíveis. Quando
isto acontece, geralmente a pessoa escolhe o papel
do grupo de maior importância. Suponhamos que Tom Jennings seja
um supervisor de fábrica, que
normalmente toma seu lanche com um grupo informal, composto dos capatazes
da fábrica. Estes capatazes
estão muito preocupados com a recente decisão da administração
de fechar a fábrica e realocar o pessoal.
Eles passam a criticar e a ameaçar ostensivamente a administração
nas conversas durante o lanche.
Finalmente, após o anúncio do fechamento da fábrica,
Tom informa ao grupo que ele já está "cheio". Procura
explicar a eles que outras organizações não realocam
o pessoal: despede-os simplesmente. Tom, em
essência, preferiu desempenhar o papel do gerente de fábrica
que se identifica com a organização.
Normas
As normas são padrões partilhados pelos membros do grupo.
Têm certas características importantes para os
membros do grupo. Primeiro, as normas só são formadas
com relação a coisas que têm significação
para o
grupo. Se a produção é importante, aparecerá
uma norma relativa a ela. Se a ajuda dos membros de outro
grupo para completar a tarefa for importante, surgirá uma norma
com relação a isso. Segundo, há gradação
na aceitabilidade das normas, pelos membros do grupo. Algumas normas
são aceitas por todos os membros
e de modo completo, outras têm apenas uma aceitação
parcial. Terceiro, as normas podem ser aplicáveis a
todos os membros do grupo ou apenas a alguns deles. Espera-se que cada
membro se ajuste às normas de
produção e só se aceita discordância verbal
das diretrizes administrativas por parte dos líderes do grupo.
Conformidade com a norma. Uma questão importante para os administradores
é saber por que os
empregados se conformam às normas do grupo. Isto é especialmente
importante quando se sabe que uma
pessoa com grande capacidade e aptidão passa a trabalhar muito
abaixo de sua capacidade, para que as
normas do grupo não sejam violadas. Há quatro classes
gerais de variáveis que favorecem a conformidade
às normas do grupo.
1. A personalidade dos membros do grupo.
2. Os estímulos que evocam respostas.
3. Os fatores situacionais.
4. As relações intragrupais.
Personalidade é um conjunto relativamente estável de características,
tendências e temperamento formado
por herança e por fatores sociais, culturais e ambientais. Pesquisas
sobre características de personalidade
sugerem que as pessoas mais inteligentes têm menor probabilidade
de se conformarem às normas do que
as menos inteligentes, e as autoritárias se conformam mais que
as não autoritárias.
Fatores estimulantes abrangem todos aqueles estímulos relacionados
às normas às quais o membro do
grupo está conformando-se. Quanto mais ambíguo o estímulo,
maior será a conformidade às normas do
grupo. Por exemplo, vamos supor que a alta administração
adote um tipo específico de entrevista para
avaliação do desempenho. O grupo de gerentes, que deve
levar a cabo as entrevistas, pode estar
inicialmente inseguro quanto ao processo, devido às suas novidades
e complexidade. A falta de clareza fará
que o grupo se aproxima mais dos métodos de avaliação
de desempenho antigos do que dos novos métodos
elaborados pela alta administração. Os gerentes conformam-se
a uma norma imposta pelo grupo até que o
processo de entrevista se esclareça e os membros principais
do grupo passem a utilizar o método.
Os fatores situacionais referem-se a variáveis tais como tipo
de pressão exercida, grau de sucesso do grupo
na realização de suas metas e grau de identificação
do membro com o grupo.
Consequências possíveis da conformidade às normas
grupais. As pesquisas sobre conformidade têm como
conclusão evidente que a conformidade é uma exigência
da participação grupal. Os membros que não se
conformam às normas importantes do grupo são, frequentemente,
punidos por este. Uma das formas de
punição é isolar o insubmisso ou ignorar sua presença.
Há certas consequências negativas e positivas na
conformidade. Ela pode resultar em perda de individualidade e no estabelecimento
de níveis de desempenho
apenas moderados. Este tipo de comportamento pode custar caro à
organização que precisa de níveis de
desempenho acima da média para permanecer competitiva.
Há naturalmente, possíveis consequências positivas
em se conformar os membros com as normas do grupo.
Se não houvesse conformidade, o gerente teria enorme dificuldade
ou mesmo impossibilidade em prever o
comportamento do grupo. Essa incapacidade em prever o comportamento
poderia gerar insucessos
administrativos, no sentido de canalizar os esforços do grupo
para a consecução de metas organizacionais.
Este, naturalmente, é um problema que deve ser enfrentado pelos
administradores de grupos formais. Eles
não teriam uma maneira sistemática de prever o comportamento,
como, por exemplo, a resposta do grupo a
um novo sistema de computação ou a um novo sistema de
avaliação de desempenho, se houvesse falta de
conformidade com as normas grupais.
O papel da liderança nos grupos
A liderança grupal é uma característica extremamente
importante. O líder de um grupo exerce algum tipo de
influência sobre os membros do grupo. Nos grupos formais, o líder
pode exercer o poder sancionado pela lei.
Isto é, o líder pode recompensar ou punir os membros
que não se ajustem às diretrizes, normas e regras.
O papel da liderança é também significativo nos
grupos informais. A pessoa que se torna líder de um grupo
informal, geralmente, é olhada como um membro respeitável
e prestigioso que:
ajuda o grupo a atingir suas metas;
possibilita a satisfação das
necessidades dos membros;
encarna os valores do grupo. O líder
é, em essência, a personificação dos valores,
motivos e
aspirações dos membros do grupo;
é o escolhido dos membros do grupo
para representá-lo quando tem de interagir com outros líderes
grupais;
é um pacificador do conflito grupal,
um iniciador de ações dentro do grupo e o mantenedor dessa
unidade em funcionamento.
O líder informal pode ser mudado, e estio frequentemente ocorre,
em função da situação e das condições
existentes em cada momento. Um líder incapaz de manter respeito
e prestígio pode ser substituído por outro,
considerado pelos membros como tendo maior prestígio e respeito.
Para continuar líder de qualquer tipo de
grupo, a pessoa deve ter conhecimento e habilidade necessários
para poder guiar o grupo no cumprimento
de suas tarefas.
DESEMPENHO GRUPAL
Os administradores avaliam o desempenho grupal em termos de resultados
finais. Os resultados específicos
podem ser a eficiência, o número de idéias, a interação
social, a amizade, a sindicalização ou a resistência
de uma mudança proposta no layout físico. Há vários
fatores grupais que influenciam de modo significativo o
desempenho coletivo. Dois destes fatores mais importantes são
o tamanho e a coesão do grupo.
Tamanho do grupo
O número de participantes do grupo é uma variável
importante, em razão de seu impacto sobre os padrões
de interação e dos recursos disponíveis para realizar
as tarefas e encorajar a dedicação. Um aumento de
tamanho traz consigo maiores oportunidades de interação
e também mais oportunidades para integrantes "se
esconderem" no interior do grupo. Há, sem dúvida, desvantagens
nos grandes grupos. À medida que o
tamanho do grupo aumenta, surge a possibilidade de ocorrência
de subgrupos com metas específicas que,
em alguns casos, são incompatíveis com as metas do grupo
maior.
Normalmente, o grupo maior tem também maior composição
heterogênea de indivíduos. A capacidade de um
melhor comportamento global torna-se mais difícil quando muitos
indivíduos diferentes, com comportamentos
bem singularizados, passam a trabalhar juntos. Deve haver clareza de
metas, dedicação e liderança, se
quisermos que o grupo seja eficaz; mas tudo isto é muito mais
importante se se tratar de grandes grupos
heterogêneos.
Em geral, surgem forças antagônicas nos grandes grupos.
Algumas destas forças procuram perpetuar a
consecução efetiva de metas e outras, impedi-la. Num
estudo com grupos de solução de problema, onde
havia mais de 96 membros, descobriu-se que os grupos maiores produziam
mais idéias que os menores,
mas a taxa de aumento ia tornando-se progressivamente menor, à
medida que o grupo aumentava. Quando o
tempo de geração de soluções permanece
constante e o tamanho do grupo aumenta, á menos oportunidade
para que cada pessoa discuta ou divulgue as próprias idéias.
Portanto, parece difícil usar, de modo mais
produtivo, os recursos aumentados do grupo.
Aumentando o tamanho do grupo, aumenta-se também a distância
entre seus membros. Sem certo grau de
proximidade, é impossível haver dedicação,
confiança e abertura de comunicação. Os problemas
nessas
áreas têm um impacto negativo no desenvolvimento do grupo.
Acrescente-se a tudo isto que, nos grandes
grupos informais, é mais difícil a emergência de
líderes aceitáveis.
Embora as pesquisas e hipóteses, sobre tamanho ideal de grupo,
sejam interessantes, certamente não são
conclusivas. Não há limites para se definir um grupo
de tamanho ideal. O administrador deverá conhecer os
perigos do aumento de um grupo, mas não deve tentar restringir
o grupo a um número ideal.
Coesão grupal
Os grupos formais e informais parecem possuir um fechamento sobre si
mesmos ou certa comunidade de
atitudes, comportamento e desempenho. Este fechamento sobre si mesmos
é conhecido como coesão.
Geralmente a coesão é considerada uma força que
age para que os membros permaneçam no grupo, força
esta mais poderosa do que a força que tenta expulsar os membros
do grupo. O grupo coeso, portanto, possui
indivíduos que têm alguma força de atração
entre si. Os membros do grupo de pequena coesão têm pequena
atração.
Há, naturalmente, várias fontes de atração para o grupo. O grupo pode ser atrativo porque:
suas metas e as metas dos membros são
compatíveis e claramente especificadas;
possui um líder carismático;
a reputação do grupo mostra
que ele executa bem suas tarefas;
é suficientemente pequeno para permitir
que seus membros tenham suas opiniões ouvidas e
valorizadas pelos outros;
os membros são atrativos, no sentido
de que eles se apoiam e se ajudam mutuamente para vencer os
obstáculos e barreiras ao crescimento
e desenvolvimento pessoal.
Esses cinco fatores estão relacionados à satisfação
das necessidades. Se a pessoa entra num grupo coeso,
deve haver um aumento de satisfação de suas necessidades,
através da filiação a esse grupo.
Como os grupos muito coesos são compostos de indivíduos
motivados a ficarem juntos, há uma tendência a
se esperar desses grupos um desempenho eficaz. Essa lógica não
é conclusivamente comprovada pela
evidência empírica. Em geral, à medida que cresce
a coesão de um grupo de trabalho, o nível de
conformidade às normas do grupo também cresce e estas
normas podem estar em desarmonia com as
normas da organização. As pressões para a conformidade
são mais intensas no grupos coesos. Um
membros qualquer que tenta desafiar o grupo põe em risco seu
cargo ou seu status na unidade coesa.
A importância da coesão grupal ficou indicada num estudo
levado a cabo pelo Tavistock Institute da
Grã-Bretanha. A indústria de mineração
de carvão na Inglaterra, após a Segunda Guerra Mundial, introduziu
várias mudanças no equipamento e nos métodos de
mineração. Antes dessa nova tecnologia, os mineiros
trabalhavam juntos como equipes. O grupo de mineiros cavava o carvão,
lotava as carretas e as levava para
estações onde esse carvão era retirado da mina.
As tarefas, a proximidade física e os perigos do trabalho de
mineração eram forças que levavam a um aumento
das equipes coesas. As equipes davam a seus membros
oportunidades de interagirem. Assim, surgiram grupos altamente coesos
antes da introdução do novo
equipamento.
A nova tecnologia fragmentou os grupos; as máquinas faziam algumas
das tarefas antes executadas pelos
mineiros. Destruiu também muitas oportunidades de socialização
dos mineiros. Sem o apoio dos grupos
altamente coesos e com o aumento da distância física entre
os mineiros, estes começaram a baixar sua
produção. Foram formados outros grupos e outras equipes,
que não eram tão atraentes para os mineiros
como as tradicionais equipes que trabalhavam próximas umas das
outros.
Este e outros estudos indicam que os grupos coesos são capazes
de controlar o comportamento e o
desempenho de seus membros. Se as normas de um grupo coeso forem contrárias
às normais
organizacionalmente aceitáveis, a administração
poderá enfrentar problemas difíceis. Entre as possíveis
soluções, temos a motivação grupal ou a
modificação do grupo, de alguma maneira, de modo que as normas
resultantes sejam mais congruentes com as da organização.
Um dos estudos mostrou que os membros dos grupos coesos eram (1) menos
nervosos que seus
correspondentes dos grupos menos coesos, (2) mais inclinados a se sentirem
apoiados, e (3) menos
preocupados com as condições de trabalho e com as normas
e políticas do que os membros dos grupos
menos coesos. Havia também menor variabilidade de produção
entre os membros dos grupos mais coesos.
Divisão do grupo. Uma das estratégias possíveis
é dividir o grupo transferindo os seus membros para outros
departamentos, ou eliminar estes membros da organização.
Se os membros do grupo forem sindicalizados,
isso só poderá ser feito em caso de insubordinação
ou incompetência. Mesmo se existir evidência que
justifique a divisão do grupo, esta pode não ser uma
boa estratégia. Quando um grupo é eliminado, os grupos
restantes podem tornar-se mais fortes e mais difíceis de ser
manipulados.
Quando o sindicato não é problema, a divisão do
grupo torna-se mais viável. Mas as vantagens da coesão
não devem ser desprezadas. Se a administração
for bastante criativa para alterar o grupo mediante
transferência de alguns de seus membros, ela será capaz
de deslocar a posição de um grupo de baixa
produtividade para a de um grupo de alta produtividade.
Ênfase na execução de tarefas. Outra abordagem possível
é o redirecionamento do esforço dos membros. Se
a administração puder melhorar a dedicação
do grupo à execução da tarefa mais compatível
com as metas
da organização, o nível de produção
aumentará. Em alguns casos, isto poderia ser feito mediante a instituição
de planos de incentivos de grupo. Se os membros forem motivados pelo
dinheiro, o dinheiro poderá ser um
bom incentivo. Mas nem todos os indivíduos têm a mesma
motivação por dinheiro e nem sempre é possível
criar planos de incentivo grupal.
Outro método é tentar uma abordagem de administração
participativa. Se através da participação as normas
estabelecidas se tornarem mais desafiadores e interessantes, o grupo
poderá concentrar-se mais numa
tarefa. Para alguns grupos, a participação é mais
uma tentativa da administração para manipular os
empregados. Pode ser difícil modificar essa atitude se os acontecimentos
e a experiência passados foram
considerados como manipuladores.
Criando competição intragrupal. Uma terceira estratégia
seria desenvolver uma atmosfera de competição
entre os grupos. Esse método enfatiza o orgulho, a dedicação
e a vitória. A competição pode aumentar a
coesão grupal e a execução pessoal de tarefas,
entre os membros. Este processo de criação de competição
é controvertido, devido a algumas consequências de longo
prazo. A idéia de vencer a qualquer preço pode
levar ao estabelecimento de grupos coesos competitivos e disfuncionais,
no tocante às metas das
organizações. Pode acontecer que se sonegue ao grupo
competidor recursos, informação e pessoal, e a
organização irá sofrer com isso.
CONFLITO INTERGRUPAL
Os conflitos entre os grupos originam-se principalmente das diferenças
individuais, dos recursos limitados, da
diferenciação de papéis e do clima organizacional.
Eis quatro, entre as numerosas fontes possíveis de conflito
intergrupal.
Diferenças individuais
As diferenças fisiológicas, psicológicas e sociais
dos indivíduos são fonte potenciais de conflito. Se o líder
de
um grupo é agressivo e os líderes dos outros grupos não
o são, temos aí uma diferença significativa que pode
levar ao conflito. Vamos supor que um líder do grupo de engenharia
tenha 36 anos e seja muito agressivo.
Este líder terá de preparar um projeto junto com dois
outros chefes de grupos técnicos com as idades de 58 e
63 anos respectivamente. Os técnicos mais velhos podem sentir
a agressividade do chefe do grupo de
engenharia como algo negativo e resistir a suas sugestões. Este
tipo de conflito, entre empregados mais
jovens e mais velhos, resulta de diferenças de personalidade,
idade e outras variáveis semelhantes.
Recursos limitados
Qualquer grupo enfrentará, mais cedo ou mais tarde, a batalha
por mais recursos para executar suas tarefas.
Dentro dessa batalha estarão também outros grupos que
querem recursos para suas tarefas. A organização
deve dividir dinheiro, material, equipamento e recursos humanos, "da
maneira mais eficaz possível". O que a
organização acha eficaz os membros de determinado grupo
poderão achar prejudicial a si. E um grupo que
se julga lesado com relação aos recursos recebidos por
outros grupos frequentemente cria antagonismos
com a organização e com os outros grupos. Este antagonismo
pode levar à sonegação de informações,
absenteísmo ou a outros tipos de disfunção semelhante
e quem sofre com isto é a eficácia da organização.
Diferenciação de papel
O conflito entre os papéis é inevitável. Por exemplo,
o papel de um gerente de linha e o de um assessor são
frequentemente conflitantes. O gerente de linha é, muitas vezes,
protetor de sua posição, gosta de estar perto
da fabricação dos produtos finais e não gosta
de intrusos, de assessores que oferecem conselhos sobre
como melhorar o desempenho das tarefas. Uma das finalidades da assessoria
é ajudar o gerente de linha
com opiniões e conselhos. O objetivo primeiro do gerente de
linha é fazer um produto dentro dos limites dos
custos possíveis. Os objetivos da linha e da assessoria são
incompatíveis, e temos aí várias razões para
o
conflito.
O papel do engenheiro industrial é frequentemente considerado
pelos gerentes de linha como estando em
conflito com os seus. Por exemplo, numa indústria de aço,
o engenheiro industrial é responsável pelo fluxo do
trabalho, layout da fábrica e pelas mudanças de equipamento
que irão melhorar a eficiência dos grupos de
produção. Para realizar essa tarefa, o engenheiro terá
de observar os grupos de trabalho em ação.Esses
grupos, frequentemente, preparam certa sequência de comportamentos
padronizados, quando sabem que o
engenheiro está presente, registrando o que eles fazem. Isto
é, esses grupos estão agindo de maneira
artificial, em alguns casos. Isso ocorre porque não gostam do
engenheiro industrial e sentem-se ameaçados
por ele. Esses sentimentos são também válidos,
em muitos casos, para os líderes formais desses grupos, os
capatazes. O gerente pensa que as recomendações do engenheiro
industrial poderão tornar o trabalho mais
difícil, romper a eficiência do grupo ou chamar a atenção
sobre as inadequações dos membros do grupo ou
de seu líder. Esses sentimentos nem sempre existem, nem sempre
são claros, mas ocorrem em muitos
encontros entre engenheiros industriais e gerentes de linha.
Clima organizacional
O clima de uma organização é composto por um conjunto
de propriedades do ambiente de trabalho,
propriedades estas percebidas pelos empregados que estão metidos
nesse ambiente e é uma das forças
importantes que influenciam o comportamento. Entre essas propriedades
podemos achar a estrutura, o
desafio e a responsabilidade, o apoio e o calor humano, o sistema de
punição e recompensas, os padrões
de desempenho, a orientação para a produção
e o sentido de apoio. As propriedades deste clima agem
entre si e têm forte impacto sobre variáveis importantes
como satisfação, produção e eficiência.
O impacto
exato e sua direção são problemas ainda não
resolvidos. Como essas propriedades influenciam o grupo e
como agem sobre o conflito intergrupal é ainda questão
de pesquisa e interesse. Por exemplo, um estudo
longitudinal descobriu que os gerentes que tinham percepção
positiva do clima organizacional possuíam
maior aceitação de si mesmos e dos outros do que os gerentes
com menos percepção positiva do clima
organizacional. A conseqüência desta descoberta é
que percepções positivas do clima podem ser fatores
importantes na minimização do conflito intergrupal de
algumas organizações.
O interesse teórico e empírico pelo clima organizacional
irá, sem dúvida, continuar. Atualmente, algumas
pesquisas sugerem que a melhoria deste clima pode ser uma estratégia
útil para melhorar as relações
intergrupais. Deverá ainda ser pesquisado o grau de melhoria
necessário e sobre que tipo de organizações
agirá essa melhoria.
ESTRATÉGIAS PARA MINIMIZAÇÃO DO CONFLITO INTERGRUPAL
Como o conflito grupal é muito comum, é necessário
que a administração seja capaz de enfrentar os conflitos
disfuncionais principais ou impedir que o conflito atinja um nível
de maior intensidade. A capacidade eficiente
de minimizar um conflito é qualidade importante que os gerentes
devem desenvolver. As estratégias usadas
por eles devem ser classificadas em três categorias: estratégias
de fuga, de remendo e de confronto.
Fuga
Alguns gerentes tentam evitar as situações de conflito.
Procuram outra saída ou deixam de considerar os
comentários ácidos ou hostis dos outros. Em alguns casos,
chegam mesmo a abandonar o grupo de trabalho
ou a organização para fugir ao conflito. Esse tipo de
gerente espera que o conflito, com o tempo, se torne
menos intenso. Essa estratégia de fuga não é viável,
quando o outro grupo está tentando conseguir para si os
recursos limitados, e pode até resultar em desempenho grupal
ineficaz.
Remendo
Há vários métodos de confronto destinados a minimizar
o conflito intergrupal. Um destes métodos é a
negociação dos problemas através dos grupos e
de seus representantes.
Naturalmente isto coloca os negociadores em posições de
compromisso. Um segundo método de confronto é
a determinação de metas superordenadas que façam
apelo aos grupos em conflito. Essas metas
superordenadas seriam inatingíveis por um grupo apenas e estaria
acima de todas as outras metas de
qualquer grupo isolado. São necessárias várias
condições para que as metas superordenadas tenham
sucesso. Primeiro, os grupos devem querer resolver um problema comum.
A identificação de um problema
comum é difícil em si mesma. Segundo, os gerentes ou
os líderes de determinado grupo devem querer
resolver o problema. Finalmente, deverá haver alguma forma de
recompensa para a consecução da meta
superordenada. A estratégia de metas superordenadas requer a
elaboração de metas realistas e cheias de
desafio, válidas para os grupos em conflito.
Uma terceira estratégia de confronto seria a identificação
de um "inimigo comum" aos grupos em conflito. O
inimigo poderia ser um competidor; um fator externo, como determinada
política governamental; uma doença
temida, como a fibrose cística ou a pobreza. Espera-se com isso
que os grupos se unam e passem a
trabalhar em harmonia, para combater o inimigo comum.
O quarto método de confronto é o aumento de comunicação
e de compreensão entre os grupos. Muitas
vezes, este método é tentado mediante uma troca de pessoal
entre os grupos, durante certo período. O
pressuposto que está atrás dessa estratégia é
o de que o pessoal trocado pode aprender mais sobre o outro
grupo e transmitir estas impressões a seus grupos de origem.
A limitação desse método é que essa troca é
tida como temporária. É ainda discutível o qual
cada pessoa pode aprender sobre o outro grupo, nestas
condições.
Outro método de confronto é juntar os grupos conflitantes
e fazer uma reunião de confronto formal. O objetivo
desse método é fazer que os grupos exponham suas idéias,
uns para os outros, e que estudem as diferenças
de opinião e percepção de modo que as superem.
Supõe-se que esse tipo de interação estruturada resulte
numa melhor compreensão das diferenças e das atitudes.
Algumas organizações usam para essas reuniões de
confronto os representantes dos grupos. Esses
indivíduos colhem as opiniões dos outros grupos, na reunião,
e transmitem-nas a seus grupos de origem. O
método continua até que os grupos cheguem a algum tipo
de acordo. Supõe-se que qualquer reunião de
confronto leve a maior grau de consciência entre os grupos.
PRINCIPAIS PROBLEMAS PARA A CONSIDERAÇÃO DO ADMINISTRADOR PRÁTICO
Podemos definir o grupo em termos de percepção, organização,
motivação ou interação. Recomendamos
que se pense no grupo como um conjunto de pessoas que interage de tal
maneira que o comportamento e o
desempenho de um membro sejam influenciados pelo comportamento e pelo
desempenho de outro membro.
Lembre-se que desempenho sugere algum tipo de avaliação
de comportamento.
Os gerentes, estando conscientes do comportamento e das características
grupais, podem ser preparados
para possíveis resultados finais positivos ou negativos, no
tocante às atividades do grupo. Em certo sentido
ativo, o gerente poderia intervir para modificar as percepções,
atitudes e motivações que precedem os
resultados finais.
As pessoas procuram os grupos porque estes podem satisfazer suas necessidades,
oferecem proximidade
física e atração e mostram certas atividades e
metas atrativas. Em essência, as pessoas atraem-se
mutuamente; trata-se de um processo natural. O gerente pode estruturar
uma área de trabalho que minimize a
interação, mas nenhum gerente pode ou deve eliminar a
interação. Como a interação é inevitável,
a formação
de grupos informais é também inevitável. O gerente
que olha estas interações como perigos possíveis terá
dificuldade em reagir construtivamente às inevitáveis
exigências do grupo.
Os grupos desenvolvem-se em ritmo diferente e através de padrões
específicos, dependendo da tarefa, do
ambiente, das características individuais dos membros, dos padrões
comportamentais e do estilo de
administrar de cada gerente. O desenvolvimento deve ser pensado em
termos de processo dinâmico.
Eis algumas características dos grupos:
Estrutura.
Hierarquia.
Papéis grupais.
Normas.
Papéis da liderança.
Estas características invadem todos os grupos e devem ser consideradas
fatores importantes, quando se
examina a eficácia grupal. Num grupo informal, estas características
emergem do interior da unidade, ao
passo que, num grupo formal, elas são estabelecidas pelo processo
administrativo. Propiciam certo grau de
previsibilidade para o comportamento dos membros. Esta previsibilidade
é importante para o grupo e para as
pessoas que se acham fora dele (por exemplo: a administração,
outros grupos). Um grupo muito instável e
imprevisível é um problema para seus membros e para os
outros que com ele interagem.
Todo grupo possui algum grau de coesão. Esta atração
do grupo pode ser uma poderosa força que influencia
o comportamento e o desempenho individual.
Os estudos de pesquisa indicam que os grupos coesos podem formular metas
e normas compatíveis ou
incompatíveis com as da administração. Quando
estas metas e normas são incompatíveis, é preciso
algum
tipo de intervenção administrativa.
Entre as três abordagens destinadas a corrigir o desempenho negativo
do grupo estão a divisão do grupo, a
ênfase sobre a tarefa e a criação de competição
intergrupal. Cada uma destas abordagens tem vantagens e
desvantagens.
O conflito intergrupal é inevitável. O gerente não
deve aceitar prontamente a premissa de que o conflito entre
os grupos é indicação de administração
falha. Pode ser o resultado de diferenças individuais, recursos
limitados, diferenciação de papéis ou do clima
organizacional. O conflito poderia também ser o resultado de
uma certa combinação destes fatores.
A eliminação completa do conflito é impossível;
ele pode ser minimizado. Entre as estratégias de eliminação
temos a fuga, os remendos e o confronto. As estratégias de fuga
e de remendo são questionáveis. A
abordagem mais direta consiste em enfrentar o conflito logo que ele
for identificado como disfuncional.
Apresentamos quatro abordagens possíveis que são: a negociação,
o estabelecimento de metas
superordenadas, a identificação de um inimigo comum,
o intercâmbio de pessoal e o uso de reuniões de
confronto. A minimização de conflito exige que o gerente
diagnostique o conflito e tente alguma estratégia
para minimizar as condutas disfuncionais.